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"Plano B está a tornar-se plano A". As palavras duras dos ministros das Finanças à entrada do Eurogrupo

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THIERRY CHARLIER / AFP / Getty Images

Os ministros das Finanças da zona euro não estão otimistas. Finlandês e espanhol falam numa distância cada vez mais curta do "plano A ao plano B", o presidente do Eurogrupo diz que a escolha de levar a cabo um referendo é uma "decisão triste" e Wolfgang Schauble, ministro alemão, diz que gregos escolheram "terminar as negociações" - mas que se pode esperar sempre "surpresas" dos gregos. Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, adota tom mais otimista

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O humor dos ministros das Finanças da zona euro à entrada da reunião do Eurogrupo deste sábado, é tudo menos positivo. As declarações de vários ministros tornam cada vez mais claro que é pouco provável que seja decidida uma extensão do programa grego, como explicou o ministro das Finanças finlandês, Alexander Stubb: "Acho que há uma maioria clara dentro do Eurogrupo para quem uma extensão do programa está fora de questão."

O ministro finlandês foi um dos mais duros à entrada da reunião, recorrendo a uma expressão que tinha sido usada minutos antes pelo seu homólogo espanhol, Luis de Guindos, dizendo que "o plano B está a tornar-se o plano A". 

Também o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, disse ter sido "surpreendido negativamente" pelo anúncio do Governo grego acerca de um possível referendo e pela "aparente rejeição das propostas das instituições". 

Dijsselbloem foi ainda mais contundente acerca da convocação do referendo: "Essa é uma decisão triste para a Grécia, já que fechou a porta a conversações futuras."

Ideia apoiada pelo ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, para quem a decisão dos gregos equivale ao "fim das negociações". No entanto, acrescentou o ministro, "com a Grécia nunca podemos descartar surpresas".

Surpreendentemente, o tom mais otimista veio da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, muito embora o FMI tenha sido a única instituição referida diretamente por Alexis Tsipras no seu discurso da última madrugada. Na comunicação aos gregos, o primeiro-ministro disse que as propostas dos credores ilustram sobretudo "a insistência do FMI em medidas de austeridade duras e punitivas".

À entrada da reunião, Lagarde adiantou que o FMI sempre mostrou "flexibilidade para se adaptar à nova situação económica e política na Grécia" e garantiu que a instituição continuará a tentar "restaurar a estabilidade económica na Grécia" e a sua "independência financeira", à semelhança do que foi feito "em Portugal e na Irlanda". "É o que iremos continuar a fazer", rematou.

Também o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, enviou uma mensagem de esperança, repetindo que "quando há vontade, há um caminho" e acrescentando que "o Governo grego deve mostrar qual é a sua vontade".

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