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Europa começa a reagir a referendo grego. Proposta de extensão pode ser retirada da mesa

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John Thys / AFP

Fontes em Bruxelas garantem que parceiros europeus vão retirar a proposta de extensão do programa grego na reunião do Eurogrupo deste sábado, mas nada é ainda certo. Vice-Chanceler alemão não rejeita, no entanto, a ideia de um referendo para clarificar situação. Um sábado agitado, em que tudo está ainda por definir, no dia em que o Parlamento helénico pode aprovar a realização de um referendo às propostas dos credores

A reunião do Eurogrupo deste sábado mantém-se marcada para as 14h (13h em Lisboa), mas é possível que a última proposta dos credores oficiais de extensão do programa grego, para resolver problemas de liquidez, já não esteja em cima da mesa.

Isso mesmo confirmaram fontes europeias aos correspondentes em Bruxelas do "Financial Times" e do "Economist", que publicaram a informação nas suas contas de Twitter.

No entanto, o "Financial Times" também avança que a última proposta para novo acordo (e não extensão) ainda está em cima da mesa. Ou seja, é uma situação de grande incerteza, como confirmou uma fonte europeia ao Expresso: "Receio que teremos de esperar para ver", disse.

A confirmar-se a não extensão do empréstimo, esta medida deixará os gregos sem financiamento para pagar o empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que é devido até ao dia 30 de junho (terça-feira).

Na esperança de resolver o problema, o primeiro-ministro Alexis Tsipras anunciou na passada madrugada que irá pedir ao Banco Central Europeu (BCE) para estender o seu apoio de liquidez para além do término do programa, no dia 30, até ao dia 5 de julho, quando se deverá realizar o referendo. Responsáveis gregos irão reunir-se este sábado com representantes do BCE para discutir esta opção.

O Parlamento helénico está atualmente reunido para discutir a realização de um referendo que pergunte aos gregos se concordam ou não com as propostas dos credores oficiais - não sendo ainda claro qual dos vários documentos apresentados ao longo da semana será votado.

A votação estava prevista realizar-se por volta das 19h (17h em Lisboa), mas foi adiada para a meia noite (22h em Lisboa), provavelmente para esperar pelas decisões do Eurogrupo. A medida vai ao encontro das declarações da manhã de sábado do líder do partido menor da coligação, os Gregos Independentes (ANEL), que declarou que o referendo pode ser cancelado se os credores aceitarem as propostas gregas.


No entanto, se as instituições não o fizerem, o mais provável é que a realização do referendo seja aprovada, já que são necessários 151 votos e a coligação governamental conta com 162 deputados.

Alemanha favorável a referendo? 
Na manhã de sábado, o vice-Chanceler alemão pronunciou-se sobre um possível referendo grego, dizendo que este "pode fazer sentido". 

Em entrevista à rádio alemã Deutschlandfunk, citada pelo jornal grego "Kathimerini", Sigmar Gabriel frisou que se a questão do referendo estiver bem delimitada, explicitando que a ajuda europeia está ligada às reformas exigidas, esta pode ser uma boa ideia. "Não deveremos descartar esta sugestão de 'Herr' Tsipras e dizer 'isto é só um truque'", declarou o vice-Chanceler. "Se as questões forem bem enquadradas, então pode fazer sentido."

As declarações vão ao encontro da posição do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, em maio, quando Alexis Tsipras colocou a hipótese de referendar as medidas propostas pelos credores, numa grande entrevista a uma televisão grega.

"Pode ser uma boa medida perguntar ao povo grego se está disposto a aceitar o que é necessário ou se quer a alternativa", declarou Schauble na altura, aplaudindo o esforço de clarificação. No entanto, em maio a situação não era tão apertada em termos de prazos relativamente a pagamentos.