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Eurogrupo garante: Grécia continua a fazer parte da zona euro

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Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, apontou o dedo a Varoufakis

YVES HERMAN

Depois de a Grécia não ter estado presente na segunda parte da reunião, vários ministros das Finanças desdobraram-se em declarações reforçando que o país continua dentro da moeda única. No entanto, o presidente do Eurogrupo desmentiu o ministro grego sobre quem teve a iniciativa. E as conferências de imprensa não responderam a todas as perguntas

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

"O Eurogrupo continua a ter 19 membros." A frase de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, serviu para tentar colocar de parte quaisquer receios que possam ter surgido com o facto do ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, não ter estado na segunda parte da reunião do Eurogrupo. 

No entanto, tal não resolveu o mistério acerca de quem tomou essa decisão. Segundo Varoufakis, a Grécia foi "convidada a sair". Mas Dijsselbloem apresentou em conferência de imprensa, este sábado, uma versão diferente: "O senhor Varoufakis abandonou a reunião antes do fim, por sua iniciativa." 

Sinal de que o ambiente está longe de ser saudável neste momento, razão pela qual Dijsselbloem e outros responsáveis europeus se desdobraram em garantias de que a Grécia continua a estar dentro do Eurogrupo - e da zona euro. "A Grécia continua a fazer parte da zona euro", tweetou o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis. "O Eurogrupo é decisivo para garantir a estabilidade financeira e para fortalecer ainda mais a zona euro." 

Também o próprio ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, tentou dissipar as dúvidas, sossegando: "A Grécia continua a ser um membro da zona euro e iremos fazer tudo o que podemos para ajudar o povo grego." No entanto, acrescentou que não pensa que o referendo irá "ajudar os gregos" e previu "uma situação difícil" para a Grécia nos próximos dias. 

 

Negociações prosseguem? 

Jeroen Dijsselbloem não esclareceu se as negociações prosseguem de facto, como garantido por Varoufakis, dizendo que foram os gregos a romper com as conversações e garantindo que terão de ser eles a retomá-las. "Estamos pronto para apoiar a Grécia se e quando for pedido, depois do programa terminar", declarou, acrescentando que "o processo não terminou, provavelmente nunca vai acabar..." 

O presidente do Eurogrupo confessou também esperar que o referendo não vá para a frente, por decisão do parlamento grego, que está ainda a discutir a proposta: "Espero que isto leve a uma situação política diferente", disse. 

 

França, o único aliado dos gregos? 

As declarações de maior solidariedade com o Governo grego vieram do ministro das Finanças francês, Michel Sapin. "A França está disponível a qualquer altura para encontrar uma solução para a Grécia", afirmou o ministro, entreabrindo a porta a um possível papel de mediador. "Antes do (dia) 30, no (dia), depois do (dia) 30..." 

Sapin repetiu também que o que se passou no Eurogrupo não significa que a Grécia tenha abandonado a moeda única e avançou que a discussão na segunda parte da reunião foi sobre a liquidez dos bancos e não sobre uma 'Grexit'.  

Segundo a jornalista da Euronews Efi Koutsokosta, o ministro das Finanças francês terá sido o único a declarar-se a favor de uma extensão do programa grego, como foi pedido por Yanis Varoufakis.