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Tsipras anuncia referendo às propostas dos credores a 5 de julho

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FOTO ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS

É a resposta do primeiro-ministro grego ao que diz ter sido um "ultimato" dos parceiros europeus e da troika. Alexis Tsipras garante que irá respeitar o resultado seja ele qual for. Este sábado, altos responsáveis gregos reunir-se-ão com o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi

Alexis Tsipras quer que seja o povo grego a decidir se a Grécia aceita ou não as propostas dos credores oficiais em troca de ajuda financeira. No final de uma reunião de emergência com os restantes membros do governo, que decorreu esta noite em Atenas, o primeiro-ministro grego anunciou a realização de um referendo para o próximo domingo, dia 5 de julho.

É a resposta de Tsipras ao que diz ter sido um "ultimato" dos parceiros europeus e da troika. Num discurso televisivo, o líder do Syriza garantiu que vai respeitar o resultado da consulta popular, seja ele qual for.

O líder do Syriza voltou a acusar o Fundo Monetário Internacional de ter uma "obsessão com a austeridade". Perante a pressão das instituições - FMI, Comissão Europeia e BCE - a fazer mais cortes das pensões e a aumentar o IVA no sector da restauração e nas ilhas gregas, Tsipras preferiu convocar um referendo a pisar promessas eleitorais.

O executivo grego terá agora a intenção de pedir uma curta extensão do resgate para permitir a realização do referendo, uma vez que o atual programa de assistência financeira termina no dia 30 de junho.

Para este sábado, em Bruxelas, está marcada uma nova reunião dos ministros das finanças da moeda única. O Eurogrupo tinha sido convocado para as 13 horas (de Portugal) em uma última tentativa de fechar o acordo entre gregos e credores, permitindo aos ministros tomar a decisão que desbloqueia 7,2 mil milhões de euros, referentes às tranches em atraso no programa de resgate e à devolução dos lucros que o BCE e os bancos centrais nacionais do euro fizeram com a dívida grega em 2014.

A realização de um referendo condiciona uma decisão favorável já hoje e põe ainda mais em causa a capacidade de o governo grego pagar mais de 1,5 mil milhões de euros ao FMI no dia 30 de junho.

O Eurogrupo deverá, no entanto, decidir se aceita o pedido de extensão de resgate que Tsipras pretende fazer.

Esta sexta-feira, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho admitia que poderia ser necessária uma reunião dos chefes de Estado e de Governo da zona euro "se alguma coisa não correr bem".

Falta agora a proposta de referendo ser aprovada no Parlamento. Será submetida este sábado a partir das 10 horas (hora de Portugal) e deverá ser votada pelas 17 horas.  A proposta necessita de uma maioria simples de 151 votos para ser aprovada, de acordo com o artigo 44 da Constituição. A coligação dispõe de apoio parlamentar de 162 deputados. Alguns partidos, como o PASOK, já levantaram a questão da inconstitucionalidade do referendo, dado o referido artigo 44 excluir referendos sobre questões orçamentais.

A última vez que os gregos foram chamados a votar num referendo foi em 1974 quando se decidiram pela república em vez da monarquia, após a queda da ditadura da Junta Militar, também conhecida como o "regime dos coronéis" que governaram o país desde o golpe de abril de 1967 até julho de 1974.

Também, durante este sábado altos responsáveis gregos reunir-se-ão com o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Alguns jornais gregos referem que Tsipras participará na reunião, mas outros referem que a delegação helénica será constituída pelo vice-primeiro-ministro Dragasakis e pelo ministro-adjunto Euclid Tsakalotos. O BCE realizará uma reunião por teleconferência no domingo onde a situação da banca grega na reabertura na segunda-feira será o tema.