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Sobe o número de vítimas: 39 mortos e 36 feridos em atentado na Tunísia

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Forças de segurança da Tunísia escoltam um homem suspeito de estar envolvido no atentado e aqui visado pela fúria popular

Med amine ben aziza / EPA

Testemunha no local disse que a polícia abateu um dos atacantes. Tinha uma AK-47, a arma usada em março durante o ataque ao Museu do Bardo, em Tunis. Alemães, belgas e britânicos entre as vítimas mortais

Céu limpo. 28 graus. Uma perfeita manhã de praia é tragicamente interrompida por um violento tiroteio. Aconteceu em Sousse, Tunísia. O porta-voz do ministro do Interior, Mohamed Ali Aroui, disse à Reuters que foi um "atentado terrorista". Segundo a mesma fonte, citada pela Reuters, entre as vítimas mortais há alemães, belgas e britânicos.

O ataque já provocou pelo menos 39 mortos e 36 feridos, avança o Ministério da Saúde tunisino, citado pela Associated Press.

As primeiras notícias divulgadas pelos media internacionais referem disparos junto ao hotel Imperial Marhaba. Dois homens com espingardas de assalto AK-47, a arma usada em março durante o ataque ao Museu do Bardo, na capital, Tunis, teriam desembarcado de um bote de borracha na praia privativa do hotel, de t-shirt e calções como qualquer turista, e começaram a disparar. A arma vinha disfarçada dentro de um guarda-sol.

Uma fonte da segurança disse que viu o cadáver de um dos alegados atacantes abatido pela polícia. O jovem, de 23 anos, era um estudante de aviação residente em Kairouan, no centro do país. O outro conseguiu fugir mas já foi detido.

Sousse é uma das principais estâncias turísticas da Tunísia. Aqui afluem, todos os anos, milhares de turistas europeus.

Uma irlandesa de Dublin, que está de férias em Sousse com os dois filhos contou à radio RTE que estava na praia com as crianças quando tudo aconteceu.

“Tinha acabado de sair da água. Olhei e vi a cerca de 500 metros de distância um balão (de ar quente) aterrar repentinamente. Então escutei rajadas. As duas pessoas que estavam no balão começaram a correr na minha direção. Pensei que se tratava de fogo-de-artifício”, disse Elizabeth O’Brien. “Percebi então que deviam ser disparos. Corri para o mar, para tirar as crianças da água, peguei nas coisas e corremos para o hotel. Os empregados que estavam na praia começaram a gritar: ‘corram, corram, corram’!”, acrescentou a mesma fonte.

Elizabeth O’Brien e os filhos estão, desde essa altura, fechados no quarto. Tal como eles, muitos outros turistas permanecem barricados no interior dos seus aposentos. Até em hotéis distantes do Imperial Marhaba. É o pânico generalizado.

Debbie Horsfall, outra turista britânica alojada num hotel próximo do Imperial Marhaba, o Belleview Park, contou à BBC que estava na praia com um amigo quando escutou os disparos.

“A minha amiga levantou-se e viu um homem com uma metralhadora. Começamos a correr, mas não sabíamos para onde deveríamos ir. Chegamos há apenas dois dias. Regressamos ao quarto mas não nos sentimos em segurança. Queremos apenas fazer as malas e voltar para casa”, disse.

Europa em alerta

Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, reforçou esta sexta-feira que o facto da Tunísia estar entre os países atacados pelos terroristas "não é acidental", sublinhando que a estabilidade política na Tunísia é vital para a segurança europeia.

Na sequência dos atentados nesse país, França e Kuwait, a Espanha aumentou o nível de alerta antiterrorismo para o 4, o segundo mais elevado. Segundo explica o Ministério do Interior, a proximidade de Espanha ao local dos atentados, a celebração do aniversário do Califado do Daesh (segunda-feira, 29) e informações dos serviços do Estado, não reveladas, contribuíram para aumentar o estado de alerta.

Ataques em 2013 e 2014

Não é a primeira vez que Sousse é palco de um atentado terrorista. A 30 de outubro de 2013 um bombista suicida explodiu numa praia frente ao hotel Riadh Palms.

Testemunhas no local disseram na altura à agência France Press que o terrorista pretendia deflagrar o engenho que trazia à cintura no interior do hotel, mas acabou por ser perseguido até à praia.

Também no início deste ano, a 140 quilómetros de distância, um ataque terrorista ao Museu do Bardo, em Tunes, provocou 22 mortos, 21 dos quais eram turistas estrangeiros. O ataque foi reivindicado pelo grupo extremista Daesh.

Pelo menos 2400 dos cidadãos tunisinos tornaram-se jiadistas na Síria desde 2011, com apenas 400 a regressarem, revelam estimativas do Ministério do Interior. Para além disso, dados de organizações internacionais revelam que existem mais tunisinos entre os jiadistas estrangeiros a lutar no Iraque e na Síria do que provenientes de qualquer outro país.


[notícia atualizada a 28 de junho às 19 horas, com o número de vítimas]