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Passos não crê que “seja possível ser mais flexível” com a Grécia. E é “falsa questão” as queixas de Tsipras sobre Portugal

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JULIEN WARNAND / EPA

Primeiro-ministro português diz que “é indispensável não baixar de um determinado nível de ambição” para que o programa grego resulte. Por sua vez, Tsipras voltou a lamentar o tratamento diferenciado dado a Portugal e à Irlanda - Passos responde

Depois de ouvir quinta-feira a troika e o presidente do Eurogrupo, Passos Coelho disse não acreditar que seja possível “ser mais flexível do que aquilo que as instituições já apresentaram”, referindo-se à proposta conjunta que a Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI fizeram esta quinta-feira a Atenas e que ainda não teve o acordo do governo de Alexis Tsipras. 

“É indispensável não baixar de um determinado nível de ambição”, acrescenta Passos Coelho, justificando que “se isso não vier a acontecer, então não se está a ajudar a Grécia porque o programa não resultará”.

O problema, segundo o primeiro-ministro, é que continua a faltar uma “dimensão estrutural no programa que possa permitir acreditar junto dos mercados e dos cidadãos que o programa possa ser cumprido satisfatoriamente”.

Passos Coelho falava aos jornalistas em Bruxelas, no final do encontro de dois dias do Conselho Europeu. O impasse grego não estava na agenda oficial, mas o assunto foi incontornável. Durante mais de duas horas, os chefes de Estado e de Governo ouviram o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e escutaram também os argumentos de Alexis Tsipras. 

De acordo com fontes gregas, o primeiro-ministro grego voltou a dizer, agora aos restantes líderes europeus, que a troika tinha aceitado medidas alternativas durante os programas de resgate português e irlandês e que não estaria a ter a mesma abertura com o atual governo do Syriza. 

Passos Coelho rejeita as comparações feitas por Tsipras para mostrar que os credores oficiais foram mais flexíveis com Portugal e com a Irlanda. “Essa é uma falsa questão. Nem a Irlanda nem Portugal beneficiaram de tal flexibilidade com a troika”, disse Passos Coelho. “Tudo o que eram objetivos que estavam dentro do segundo programa da Grécia foram largamente abandonados, não foram marginalmente alterados como foi o nosso caso”, concluiu. 

Em cima da mesa pode estar uma nova extensão por cinco meses do programa de assistência financeira, que foi comunicada, diz Passos Coelho, aos chefes de Estado e de Governo. “Se os problemas forem bem respondidos, então poderá haver abertura para que outros aspetos possam vir a ser considerados no fim desse prazo e que sejam importantes - seja no que diz respeito à sustentabilidade da dívida, seja no que respeita à garantia de financiamento ulterior”. 

Primeiro é preciso fechar um programa e chegar a um acordo. Passos diz que é importante aguardar pelo desfecho das negociações e pela reunião do Eurogrupo deste sábado, mas admite que pode ser necessária uma cimeira da zona euro “se alguma coisa não correr bem”.