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Merkel e Hollande propõem “oferta extraordinariamente generosa”, Grécia queixa-se de chantagem

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HANDOUT / Reuters

Continua tudo em aberto na contagem decrescente para a reunião deste sábado do Eurogrupo. Credores oficiais terão feito proposta de extensão do programa atual, Tsipras marcou reunião de emergência com o seu Governo

Uma extensão de cinco meses do programa atual que permitiria aos gregos pagar as obrigações com empréstimos previstas para os próximos seis meses - esta terá sido uma proposta elaborada pelas instituições na quinta-feira e que a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, apresentaram ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, na manhã desta sexta-feira. 

Os líderes estiveram reunidos cerca de 45 minutos, onde os chefes de Estado da Alemanha e França frisaram a importância de se chegar a um entendimento na reunião do Eurogrupo deste sábado e instaram Tsipras a aceitar o que classificaram como "oferta extraordinariamente generosa das instituições", segundo a AFP.

O segundo alargamento do programa, até novembro, implicaria um pacote de financiamento de pelo menos 15,5 mil milhões, segundo avançou fonte europeia ao Expresso. Algumas fontes citadas pela imprensa financeira falam em valores que podem chegar aos 19,5 mil milhões. 

Este financiamento viria dos lucros do Banco Central Europeu (BCE) de 2014 e 2015 com obrigações gregas, de fundos provenientes do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e do Fundo Helénico de Recapitalização Bancária e uma tranche em atraso do Fundo Monetário Internacional (FMI), que só seria desembolsada em outubro.

Condições desagradam a Atenas
O primeiro-ministro grego não se referiu diretamente à proposta das instituições, mas optou por uma declaração dura esta sexta-feira de manhã, dizendo que "os princípios fundadores da União Europeia" não são "a chantagem e os ultimatos". 

Tsipras partiu entretanto para Atenas, onde deverá realizar-se ainda esta sexta-feira uma reunião de emergência do Governo grego para "avaliar a proposta dos credores e definir a estratégia a ser seguida no Eurogrupo deste sábado", segundo escreve o jornal grego "Proto Thema".

Fontes do Governo grego avançaram aos jornalistas que a proposta da extensão - que inclui exigências relativamente às pensões e a impostos, segundo a Reuters - é vista como "inaceitável" e que o texto em cima da mesa é "pior do que o memorando".

No entanto, outros responsáveis gregos citados pelo jornal "Guardian" terão dito que estão a ser analisados "vários cenários" e que o mais importante é que um novo acordo não "recicle" o ciclo de austeridade. As negociações estão por isso ainda em curso, com uma nova reunião do Eurogrupo marcada para este sábado, às 14h (13h em Lisboa).