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Europa vai acolher 40.000 refugiados. Mas sem quotas obrigatórias e após discussão longa e acalorada

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Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, não esconderam, na conferência de imprensa, realizada já na madrugada desta sexta-feira, que a reunião njão foi pacífica

YVES HERMAN / Reuters

O tom de voz subiu em vários momentos na reunião do Conselho da Europa concluída já esta madrugada, durante a discussão da proposta da Comissão Europeia sobre quotas obrigatórias de refugiados da Síria e da Eritreia que cada país teria de receber

Os chefes de Estado e de Governo dos 28 países da União Europeia (UE) concordaram repartir entre si 40.000 refugiados da Síria e Eritreia nos próximos dois anos, mas com base em quotas voluntárias.

Segundo disse em conferência de imprensa o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, os líderes europeus tiveram uma "longa discussão" sobre a estratégia para lidar com os emigrantes que tentam chegar à Europa.

O tom subiu mesmo em alguns momentos, nomeadamente aquando da discussão da proposta da Comissão Europeia de quotas obrigatórias, segundo a qual cada país teria de acolher um número previamente definido de refugiados. 

O primeiro-ministro italiano Matteo Renzi fez mesmo uma intervenção sentida: "Ou vocês estão solidários ou não nos façam perder o nosso tempo", afirmou, insatisfeito, perante os colegas europeus.

Além de Itália, também Hungria, Polónia e Grécia se posicionaram do lado das críticas aos países mais reticentes em mostrar solidariedade com aqueles que têm de fazer face à chegada em larga escala de emigrantes, que atravessam o Mediterrâneo à procura de uma vida melhor na Europa.

O método de repartição dos refugiados será agora discutido e decidido em julho pelos ministros da Administração Interna, anunciou ainda Donald Tusk.

Fonte diplomática indicou que a posição do Governo português é de que deve haver efetivamente solidariedade, mas é necessário negociar a ponderação dos critérios para a atribuição de quotas.

De acordo com a proposta da Comissão Europeia apresentada em maio, o número de refugiados a acolher por país é determinado com base no Produto Interno Bruto (PIB), na população total e ainda na taxa de desemprego e nos refugiados.

Por este método, Portugal assumiria 1701 refugiados ao abrigo do mecanismo de realocação e 704 pessoas pelo mecanismo temporário de reinstalação.

Além dos 40 mil refugiados da Síria e da Eritreia, que a UE irá acolher nos próximos dois anos, serão ainda reinstalados 20 mil refugiados que estão fora da Europa em situações de emergência, sobretudo no norte de África, no Corno de África e no Médio Oriente, no total de 60 mil emigrantes ao abrigo dos mecanismos aprovados jká na madrugada desta sexta-feira.

Mais de 100 mil pessoas entraram clandestinamente na União Europeia desde o início do ano pelo Mediterrâneo ou pela Turquia, segundo a agência europeia Frontex.

Esta cimeira durou 12 horas no primeiro dia de reunião - entre as 15h de quinta-feira e as 2h desta sexta-feira (hora de Lisboa) - e será retomada pelas 9h da manhã de hoje.