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O ponto da situação de um dia louco: “o jogo de atirar culpas ficou mais difícil”

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O que toda a gente quer evitar, mas que está complicado - o Grexit

INA FASSBENDER / EPA

Mais um dia tenso e intenso para a Grécia: houve reuniões técnicas de madrugada em Bruxelas, depois mais encontros e discussões, que trouxeram avanços e recuos. A reunião do Eurogrupo prevista para esta quinta-feira arrancou uma hora mais tarde que o previsto - já está em curso - e discute neste momento novas contrapropostas: os credores cederam nalgumas matérias - há quem diga que este facto altera o jogo de culpas - e os gregos fizeram uma contraproposta à contraproposta

A reunião entre o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e os credores oficiais já terminou, mas a tensão mantém-se e não é certo que haja qualquer acordo à vista. Uma fonte europeia bem colocada revelou ao Expresso que foram reunidos alguns documentos pelas instituições. "Incorporámos alguns dos pontos dos gregos, mas os documentos não foram aceites por eles", avançaram também ao Expresso outras fontes europeias.

Segundo o correspondente em Bruxelas do "Financial Times", Peter Spiegel, a proposta dos credores é bastante semelhante à que foi apresentada quarta-feira, mas inclui algumas concessões, como a manutenção de um programa atual de bónus para as pensões mais baixas até 2019. Os credores queriam que este programa terminasse em 2017, enquanto Atenas defendia 2020, tendo agora as instituições cedido nesta data intermédia.

Outros pontos no tema polémico das pensões, como o aumento da idade da reforma para os 67 anos até 2022, continuam a ser exigidas pelos credores na proposta, a avaliar pela informação recolhida pelo "Financial Times".

Quanto a impostos, os credores mantêm-se firmes na imposição de uma taxa de IVA de 23% a todas as ilhas gregas, bem como aos restaurantes e hotéis (os gregos defendiam uma subida para os 13% na restauração). Por outro lado, aceitam a taxa reduzida de 6% para medicamentos e livros. 

O documento também diz que a subida do IVA pode ser "revista no fim de 2016", se forem coletadas receitas equivalentes até essa data. Já quanto ao IRC, os credores só aceitam uma subida para 28% e não 29%, como pretendia Atenas.

À procura do ponto intermédio
A Bloomberg avança neste momento que serão apresentadas duas propostas no Eurogrupo, das 11h para as 12h (hora de Lisboa): uma grega e outra dos credores.

Os analistas avaliam que as concessões dos credores presentes no documento poderão tornar um acordo mais fácil. "O jogo de atirar as culpas fica mais difícil agora", avalia o grego Yannis Koutsomitis. Tudo agora depende se o Governo grego considera que os recuos da Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu são suficientes.

O economista do ING Bank Carsten Brzeski diz que as diferenças foram de novo reduzidas e que o "alívio da dívida é a última linha vermelha".

Esta reunião do Eurogrupo deverá por isso ser decisiva. À entrada para o encontro, o presidente do organismo, Jeroen Dijsselbloem, confirmou que um acordo oficial continua por alcançar: "A única coisa que apresentámos ao Eurogrupo é o que as instituições delinearam. Não temos um acordo grego nisso..."

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, foi ainda mais duro: "Não fizemos progressos", declarou. "A Grécia andou para trás".