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Milhares de mulheres assassinadas nas Honduras na última década

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As Honduras são um dos países com maior taxa de criminalidade

Oswaldo Rivas / Reuters

O número de mulheres assassinadas nas Honduras quase quadruplicou entre 2005 e 2013, ultrapassando o limiar de "epidemia" definido pela OMS. Em 2013, uma mulher morreu a cada 14 horas

Entre 2005 e 2013, os assassinatos de mulheres nas Honduras aumentaram 263%, segundo o Centro de Direitos das Mulheres, uma organização não governamental (ONG) hondurenha.

Em 2013 foram assassinadas 636 mulheres, uma a cada 14 horas. O ano passado o número baixou ligeiramente para 526, mas entre janeiro e maio deste ano já foram mortas 152 hondurenhas.   

O femicídio nas Honduras cresceu de "forma alarmante" nos últimos anos, atingindo números muito elevados. Os dados do Instituto Nacional da Mulher (INAM) das Honduras indicam que em 2008 foram assassinadas 252 hondurenhas, 407 em 2009 e 351 em 2010. A situação é de tal forma preocupante que ultrapassa o limiar de epidemia, tal como definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Em 2014, a taxa de mortes violentas femininas foi de doze por cada 100.000 habitantes, segundo o Centro de Direitos das Mulheres. A OMS considera uma "epidemia" uma taxa de mortalidade de 8,8 mortes por cada 100.000 habitantes, "o que leva a considerar esses assassínios como uma epidemia", disse Claudia Herrmannsdorfer, porta-voz da ONG.

O Governo das Honduras está comprometido no combate aos crimes machistas, mas "há uma falta de coordenação entre as oito organizações de investigação", e 94% dos assassinatos ficam impunes, declarou a porta-voz.

Segundo Herrmannsdorfer, muitas das mortes violentas de mulheres hondurenhas são atribuídas ao facto das vitímas estarem envolvidas em atividades de crime violento, com o objetivo de que não sejam investigados. "Mas devemos fazê-lo", frisou.  

As Honduras são um dos países do mundo com uma maior taxa de criminalidade e detêm o "recorde mundial" de assassínios, com 90 homicídios por 100.000 habitantes em 2012, segundo a ONU.