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Deputado do Syriza escreve ao Guardian: “É preciso oferecer uma liderança nova aos gregos”

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STRINGER / Reuters

Costas Lapavitsas defende que o Syriza tem de “repensar a estratégia”, diz que Tsipras está a ceder a uma chantagem e sustenta que a única saída é deixar o euro

As complicações em Bruxelas podem não ser as únicas que Alexis Tsipras terá de enfrentar - há problemas em casa. As divisões dentro da Grécia e dentro do próprio partido no poder começam a surgir: Costas Lapavitsas, deputado do Syriza, defendeu esta quinta-feira que o partido tem de "repensar a estratégia e oferecer uma liderança nova aos gregos". 

"Nos próximos dias podem esperar uma intervenção significativa dos influentes da esquerda, a Left Plataform. A Grécia precisa rapidamente de um debate publico e uma reforma da politica", escreve num artigo de opinião publicado no "The Guardian".

Lapavitsas considera que que os helénicos estão a ser chantageados e que a única saída é deixar a zona euro. "Há um caminho alternativo para a Grécia, e inclui deixar a zona euro. A saída libertaria o país da armadilha da moeda única, permitindo implementar políticas que podem fazer renascer a economia e a sociedade. Seria um caminho aberto e possível que pode trazer esperança, mesmo que implique dificuldades significativas num período de ajuste inicial."

O governo de Atenas, acusa Costas Lapavitsas, está a ceder a uma "chantagem". E, sublinha o deputado, a perspetiva de mais austeridade seria "pavorosa". "Para manter o país na moeda única, os líderes exigem que nos sujeitemos à chantagem e aceitemos as políticas que vão levar ao declínio nacional - a sociedade grega terá de enfrentar o baixo crescimento, alto desemprego, impregnada pobreza e emigração da juventude qualificada, tal como nos mostrou a experiências dos últimos cinco anos."

Lapavitsas acrescenta que as instituições estão a tentar impor as políticas que "constantemente têm falhado desde 2010" e que causaram "contração do PIB, aumento do desemprego e empobrecimento massivo". Apertar as mãos com Bruxelas sob estas condições seria "um desastre nacional" e uma "completa humilhação para o governo do Syriza". 

Ao contrário do que se tem relatado, diz o membro do Syriza, na Grécia não se sente apoio por parte da zona euro. "A realidade é que no terreno há raiva e frustração entre a classe trabalhadora, os pobres e a classe média."