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Crónica do desentendimento

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OLIVIER HOSLET / EPA

Dia confuso e acelerado em Bruxelas, mas igual a tantos outros no desfecho: não há acordo para a Grécia. Merkel já se pronunciou, escreve a Reuters: diz que é tempo de resolver isto até segunda-feira

Foi um dia pleno de reviravoltas, tensões, ultimatos e volte-faces. Depois de encontros técnicos que começaram ainda de madrugada, pelas 05h, os ministros das Finanças da zona euro reuniram-se à hora de almoço: a reunião foi suspensa pouco depois e então retomada, até acabar definitivamente. Porquê? O Eurogrupo exige novas propostas aos gregos, depois de estes terem rejeitado uma contraproposta dos credores. O ministro das Finanças finlandês, Alexander Stubb, confirmou no Twitter o desfecho de mais uma reunião sem entendimento.

Ainda não há confirmação oficial, mas está em perspetiva para este sábado mais uma reunião do Eurogrupo - tudo depende da decisão dos líderes europeus, que se juntam ainda esta quinta. Isto após um dia em que chegou a circular que Alexis Tsipras poderá ter considerado a demissão, devido à impossibilidade de fechar um acordo - é que foi igualmente uma quinta-feira de rumores, além da tensão reinante. O facto é que ainda não há entendimento. Por essa razão, os ministros optaram por terminar a reunião.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, garantiu no final do Eurogrupo desta quinta-feira que tudo se mantém em aberto. "Entretanto, a porta continua aberta para as autoridades gregas aceitarem as propostas postas na mesa pelas instituições", declarou o ministro holandês, acrescentando que irá agora informar os chefes de Estado, que se reúnem mais tarde no Conselho Europeu.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, entregou ao Eurogrupo um novo documento meia hora antes do início da reunião, mas este também não terá agradado por completo aos parceiros europeus, que decidiram exigir mais trabalho do lado grego para se chegar a um acordo. 

Segundo Varoufakis, o encontro do Eurogrupo terá tido muitos desentendimentos e terão surgido críticas a ambas as propostas - à grega e à dos credores."Vamos continuar as conversações até encontrarmos uma solução", garantiu. Não é certo quais são as divergências gregas, em concreto, da proposta dos credores oficiais, mas o comissário europeu Pierre Moscovici avançou à saída do encontro que os problemas continuam a estar relacionados com o IVA e as pensões. 

Segundo a agência Reuters, Angela Merkel também se pronunciou. Para a chanceler alemã, deve ser alcançado um acordo até à manhã de segunda-feira, antes da reabertura dos mercados financeiros.

O telefonema mistério
Durante a reunião, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, telefonou ao presidente do país, Prokopis Pavlopoulos. Não é conhecido o teor da conversa, mas, tendo em conta que o PM grego não tem obrigação legal de informar o presidente (que tem um cargo mais cerimonial) do ponto em que estão as negociações, circulam rumores de que Tsipras poderá apresentar a sua demissão. Isso mesmo diz Bruno Waterfield, correspondente em Bruxelas do jornal britânico "The Times".

No entanto, Alexis Tsipras disse aos jornalistas, à chegada ao Conselho Europeu, que ainda acredita num acordo.