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Credores fazem ultimato à Grécia. Tensão agrava-se

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Alexis Tsipras na chegada à reunião desta manhã

JULIEN WARNAND / EPA

O "Financial Times" avança que os credores oficiais deram até às 11h (10h em Lisboa) desta manhã para a Grécia apresentar um plano alternativo, caso contrário a Grécia terá de decidir se aceita ou não a proposta europeia que está em cima da mesa. Em Atenas, fala-se em "chantagem" e "vergonha"

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

As reuniões começaram bem cedo na manhã de quinta-feira, mas nem por isso chegaram a bom porto. Segundo o jornal britânico "Financial Times", os credores oficiais terão dado um prazo aos gregos para apresentarem uma proposta "passível de ser trabalhada" até às 11h da manhã em Bruxelas (10h em Lisboa), informação que foi igualmente avançada pela agência Reuters.

Ainda não é conhecida a reação grega a este ultimato, mas caso não haja uma nova proposta - o que é bastante provável, já que esta foi uma janela de tempo curta para produzir um novo documento técnico -, os gregos terão de decidir se aceitam ou não a contraproposta feita pelos credores, que incide mais em cortes na despesa do que em impostos, ponto onde o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem insistido. 

É uma proposta do género "pegar ou largar", como define o "Financial Times", já que não terá havido quaisquer cedências durante as últimas horas de negociação. Do lado europeu fala-se em "frustração": "Os gregos não cederam de todo", declarou uma fonte próxima das negociações ao jornal britânico. "Parece tudo muito negro neste momento."

Em Atenas, e ainda antes de ser conhecido este ultimato, vários membros do Syriza denunciaram esta manhã o que consideram ser a "chantagem dos credores", como definiu o porta-voz parlamentar do partido, Nikos Filis. O eurodeputado Dimitris Papadimoulis voltou a ecoar as declarações do primeiro-ministro Alexis Tsipras, insinuando que os credores poderão estar a servir "outros interesses".

O ambiente é cada vez mais pesado em Atenas, como ilustra a capa do jornal "To Pontiki", que fala numa "Europa da vergonha". Esta quinta-feira, o ministro do Trabalho, Panos Skourtletis, declarou mesmo que todos os cenários estão em aberto neste momento: "Nada pode ser excluído por ninguém em relação ao sucesso ou não de um acordo", declarou à televisão pública ERT.