Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Tempo de contrapropostas no dia em que a Grécia se queixou do tratamento diferenciado dado a Portugal

  • 333

YVES HERMAN / Reuters

Tsipras anunciou durante a manhã desta quarta-feira que os credores tinham rejeitado as novas propostas gregas. “A não aceitação de medidas equivalentes nunca aconteceu antes. Nem com a Irlanda nem com Portugal”, escreveu no Twiiter. Os credores avançaram com uma contraproposta, mas fonte grega diz que Atenas não aceita as exigências. Apesar dos recuos de parte a parte, ainda não é o fim

As propostas gregas que na segunda-feira foram consideradas “uma boa base de trabalho” voltam esta quarta-feira a fazer tremer as negociações. Para os credores, as medidas avançadas pelos governo de Alexis Tsipras estão demasiado assentes no lado da receita, razão pela qual apresentaram uma nova proposta negocial.

Segundo o “Wall Street Journal”, os credores oficiais – o que inclui também a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu – não aceitam a proposta para introduzir uma taxa de 12% sobre os lucros das empresas acima dos 500 milhões. E no que diz respeito ao IRC, preferem um aumento de 26% para 28% contra os 29% propostos na segunda-feira por Atenas. 

A polémica em torno da reforma das pensões também continua. Os credores, especialmente o FMI, preferem os cortes. A Grécia prefere aumentar a contribuição dos trabalhadores para a segurança social, subir a contribuição dos pensionistas para a saúde e aumentar as restrições à reforma antecipada. 

As instituições continuam a defender poupanças na ordem de 1% do PIB e pedem a eliminação do complemento de solidariedade para as pensões mais baixas até ao final de 2017. Atenas prefere que a eliminação seja progressiva entre 2018 e 2020. 

Gregos rejeitam, mas ainda negoceiam
Fonte do Governo grego avançou entretanto à AFP que o Executivo rejeitou a contraproposta dos credores e lamentou que o FMI não tenha aceitado as "medidas compensatórias" apresentadas pelos gregos na segunda-feira. No entanto, os gregos não abandonaram as negociações e Alexis Tsipras está ainda reunido com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e o presidente do Eurogrupo, Jeroen Disselbloem.

A vice-presidente da Comissão Kristalina Georgieva disse ao final da manhã que as negociações continuam ao “mais alto nível” e que este deverá ser mais “um contributo substancial para a discussão do Eurogrupo”.

O evoluir das negociações determinará também o teor da discussão dos ministros das Finanças da moeda única, que começa às 18h. O Conselho Europeu, que reúne esta quinta, toma apenas decisões políticas e não irá discutir questões técnicas relativamente a um acordo, tendo estas de estar alinhavadas antes pelo Eurogrupo.

Sem uma acordo ao nível técnico nem o aval das três instituições, o Eurogrupo não poderá tomar qualquer decisão para desbloquear a tranche em atraso do resgate, no valor de 1,8 mil milhões de euros, a que se junta a devolução de 1,9 mil milhões referentes aos lucros que o BCE e os bancos centrais nacionais do euro fizeram com a compra de dívida grega em 2014. Por desbloquear está também a tranche de 3,5 mil milhões do FMI.

Tratamento diferenciado a Portugal e Irlanda
Foi o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que anunciou esta quarta-feira de manhã que os credores oficiais não tinham aceitado as últimas propostas gregas, apresentadas na manhã de segunda-feira, o que estava a inviabilizar um acordo. E deixou críticas duras.

“Esta estranha posição pode esconder duas possibilidades: ou eles não querem um acordo ou estão a servir interesses específicos na Grécia”, disse Tsipras no Twitter e num comunicado publicado pelo Governo grego, antes de partir para Bruxelas. “A não aceitação de medidas equivalentes nunca aconteceu antes. Nem com a Irlanda nem com Portugal”, acrescentou o primeiro-ministro grego.