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Grécia adiada: Eurogrupo suspenso, Tsipras reúne-se com os credores

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PAUL HANNA / Reuters

Segunda-feira recuperou a esperança, terça manteves as expectativas, quarta quebrou a paz. O dia foi tenso, com o FMI a rejeitar as novas propostas de Atenas e a Grécia a lamentar que os credores tenham tratado Portugal e a Irlanda de forma diferente - para melhor nestes casos, para pior no que toca aos gregos. Esta quinta-feira há mais Eurogrupo, mas ainda há trabalho para Tsipras

Permanece o impasse: os europeus continuam à espera de um desenlace para o acordo que todos querem, mas que ninguém consegue concretizar. E a noite vai ser longa: apesar de a reunião desta quarta-feira do Eurogrupo ter sido suspensa, o primeiro-ministro grego vai sentar-se à mesa com FMI, BCE e Comissão Europeia ainda esta noite, a partir das 22h, num encontro que deverá prolongar-se durante a madrugada desta quinta-feira, depois de um dia marcado por muitos recuos, críticas e tensão.  Jeroen Dijesselbleom, presidente do Eurogrupo, garantiu que o todos os ministros "estão determinado a continuar o trabalho árduo durante a noite, se for necessário".

Os ministros das Finanças mal chegaram a reunir-se. Ainda houve tempo para breves declarações à entrada, como a de Schäuble - "não estou otimista que haja um acordo ainda hoje. O trabalho só agora começou" -, e pouco depois saía a notícia: Eurogrupo suspenso, encontro retomado amanhã, ao meio-dia. Soube-se pelas 20h portuguesas - o ministro das Finanças finlandês usou o Twitter para anunciar e confirmar.

"Três reuniões do eurogrupo e duas cimeiras europeias deviam ter sido suficientes para chegar a uma solução para a Grécia", referia Peter Kazimir, ministro das Finanças eslovaco, à entrada para a reunião desta quarta-feira em Bruxelas. E deixava no ar: "Estou curioso para saber como irá ficar a zona euro quando esta reunião acabar". 

Outro ministro das Finanças, agora belga e também à entrada para a rápida reunião do Eurogrupo: "Primeiro temos de ver o que as instituições trouxeram para cima da mesa. Têm estado a trabalhar arduamente nas últimas 48 horas", começou por dizer aos jornalistas Johan Van Overtveldt. "Não gosto deste género de prazos", mas "[temos] uma grande responsabilidade perante o povo grego. Penso que estão a sofrer imenso - conseguem imaginar uma economia que diminui 25% em poucos anos? Isso é horrendo. Temos a obrigação moral de travar isso", frisou. O ministro belga admitiu depois que seria difícil ter uma notícia boa já hoje (e tinha razão): "Se não chegarmos a um acordo esta noite, veremos se conseguimos amanhã". 

O tempo é de "negociações intensas", frisava por seu lado Vladis Dombroski, o vice-presidente da comissão para o euro, à entrada para o Eurogrupo. "Estamos a fazer progressos, mas ainda não estamos lá." 

Os avanços e recuos a nivel técnico e a nível político também não convenciam Alex Stubb, ministro das Finanças filandês. "Ficarei muito positivivamente surpreendido se houver algum acordo esta noite". E explicava: "Ainda não vimos propostas concretas e temos de lidar com isso com muito cuidado, tendo em conta os nossos mandatos parlamentares". 

Tratamento diferenciado para Portugal e Irlanda
O dia começou logo com notícias difíceis: Tsipras anunciou que os credores tinham rejeitado as novas propostas gregas, apresentadas segunda-feira - e que tinham sido a base do regresso de algum otimismo. A má nova veio acompanhada de críticas duras do primeiro-ministro grego:

“Esta estranha posição pode esconder duas possibilidades: ou eles não querem um acordo ou estão a servir interesses específicos na Grécia”, disse Tsipras no Twitter e num comunicado publicado pelo Governo grego, antes de o chefe de Governo ter partido para Bruxelas. E mais: Tsipras queixa-se de tratamento diferenciado relativamente à Irlanda e a Portugal. “A não aceitação de medidas equivalentes nunca aconteceu antes. Nem com a Irlanda nem com Portugal.”

Segundo o “Wall Street Journal”, os credores - FMI, Comissão Europeia e o Banco Central Europeu - não aceitam a proposta para introduzir uma taxa de 12% sobre os lucros das empresas acima dos 500 milhões. E no que diz respeito ao IRC, preferem um aumento de 26% para 28% contra os 29% propostos na segunda-feira por Atenas.