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“Bem-vindos à maior prisão do mundo”: Al-Qaeda arranja o seu próprio Jihadi John

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Homem que aparece a representar a Al-Qaeda, num vídeo divulgado esta semana onde dois prisioneiros ocidentais dirigem-se aos seus governos e às suas famílias

D.R. (fotograma do vídeo da Al-Qaeda)

Num vídeo divulgado esta semana, a Al-Qaeda surge representada por um jovem de pele escura e sotaque britânico. Os analistas dizem que a fação radical está a modernizar-se e a imitar as técnicas utilizadas pelo autoproclamado Estado Islâmico

A Al-Qaeda modernizou a sua forma de comunicar com o Ocidente. Num vídeo divulgado na noite desta segunda-feira, o grupo islâmico aparece representado por um novo "líder", um jovem que fala fluentemente inglês. Com sotaque britânico, interroga dois prisioneiros ocidentais, no deserto do Sara. Os analistas dizem que tanto o estilo do vídeo como o homem escolhido para o protagonizar são imitações do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e do seu Jihadi John. 

Com a cara escondida por detrás de uma máscara e roupas largas a tapar o tom de pele visivelmente escuro, o homem enfrenta a câmara com um olhar direto e coloca-se em poses semelhantes às adotadas pelo carrasco Jihadi John - que se acredita ser um jovem britânico de 26 anos, de nome real Mohammed Emwazi, nascido no Kuwait. Ambos utilizam frases dramáticas para captar a atenção. 

Fluente em inglês e com sotaque britânico, o homem aparece a representar a Al-Qaeda num vídeo divulgado esta semana

Fluente em inglês e com sotaque britânico, o homem aparece a representar a Al-Qaeda num vídeo divulgado esta semana

D.R. (fotograma do vídeo da Al-Qaeda)

"Bem-vindos à maior prisão do mundo. Uma prisão sem limites, uma prisão sem paredes, sem celas e sem barras. Uma prisão de medo, onde a fuga é inexistente. Esta é a prisão Mujahideen, o Sara", explica o homem da Al-Qaeda. 

A utilização de jiadistas que falam fluentemente inglês é o novo método utilizado pelas fações islâmicas em países onde os idiomas mais falados são o francês e o árabe, no Sara Ocidental. 

Os analistas dizem que é provável que se trate de uma tentativa da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM) de imitar a fórmula bem-sucedida de propaganda do Daesh. Mas, ao contrário dos vídeos violentos dos radicais islâmicos mais jovens (muitos dos militantes do Daesh saíram da Al-Qaeda), no final da filmagem, o seu Jihadi John não decapita os dois prisioneiros.

O sueco Johan Gustafsson, à esquerda, e o sul-africano Stephen McGowan, à direita, agradecem aos seus governos todos os esforços efetuados para salvar as suas vidas

O sueco Johan Gustafsson, à esquerda, e o sul-africano Stephen McGowan, à direita, agradecem aos seus governos todos os esforços efetuados para salvar as suas vidas

D.R. (fotograma do vídeo da Al-Qaeda)

O sul-africano Stephen McGowan e o sueco Johan Gustafsson, foram raptados em novembro de 2011 de um hotel em Timbuktu - cidade mali situada no extremo sul do deserto do Saara. Havia já dois anos que não eram vistos em público.  

Aparecem filmados à sombra de um arbusto, no meio do deserto, enquanto o protagonista da Al-Qaeda informa-os de que têm havido conversações com os governos dos seus países para a sua libertação. Um diálogo que, segundo o homem, tem sido dificultado pela França. Não são efetuadas quaisquer exigências, há, contudo, uma referência à troca de prisioneiros efetuada no passado. O vídeo termina com os dois ocidentais a enviarem mensagens às suas famílias. 

A não ser o sotaque britânico e o tom de pele escuro, não há qualquer pista da identidade do homem da Al-Qaeda que personifica o papel de repórter de televisão. Contudo, as forças especiais inglesas MI5 e MI6 acredita-se já estarem a investigar o caso.