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Angústia e catástrofe no Paquistão: vaga de calor matou mais de 150 pessoas a cada 24 horas

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AKHTAR SOOMRO / Reuters

Militares estão no terreno. Há cinco dias que o país luta contra a tragédia, que afeta sobretudo os idosos pobres

Imparável e impiedosa. Ao quinto dia, a intensa vaga de calor que assola o sul do Paquistão já matou 780 pessoas, informa um porta-voz da Fundação Edhi, uma instituição particular de solidariedade social. Quase 170 nas últimas 24 horas. E nem os 22 centros de assistência que as poderosas Forças Armadas paquistanesas já instalaram nesta região parecem conter a tragédia.

“Eles [os militares] estão a dar toalhas geladas, sumos e soro hidratante”, contou ao repórter da Reuters, enquanto era assistida num dos centros a funcionar numa tenda de campanha junto a um hospital público em Carachi, uma das muitas vítimas da temperatura do ar a 45 graus célsius. Irrespirável. “O Governo limita-se a atualizar o número de mortos. É uma vergonha”, desabafa.

A vaga de calor assola há cinco dias a província de Sindh, com capital em Carachi, banhada pelo Índico, cidade com 20 milhões de habitantes, sede do banco central, da principal bolsa de valores e do maior porto do país.

SHAHZAIB AKBER / EPA

Conta o correspondente da Reuters na cidade, Syed Raza Hassan, que as altas temperaturas puseram a nu a incapacidade do Governo para financiar as instituições estatais que prestam apoio social, em contraste com os militares, chamados amiúde para socorrer as vítimas de desastres naturais. Afinal, é também para eles que, ano após ano, vai a fatia de leão do orçamento do Estado.

Os serviços públicos do Paquistão, potência nuclear com 190 milhões de habitantes, vivem à míngua, vítimas de uma generalizada e sistemática evasão fiscal. Menos de 0,5% dos cidadãos pagam impostos, lembra o jornalista da Reuters. Entre os faltosos estão diversos políticos que, tomados pela ira, acusam-se agora mutuamente.

O ministro do Governo Federal para a Água e Energia acusa o governo da província de Sindh, nas mãos da oposição, dos cortes no abastecimento em Carachi. “Se não pagaram o que devem, a culpa não é do governo [central]”, disse Khawaja Asif.

Já uma fonte oficial do governo provincial admitiu protestar, frente à empresa que fornece eletricidade em Carachi, contra cortes frequentes de energia. Uma porta-voz da K-Eletric revelou, entretanto, que os governos federal e provincial devem mais de mil milhões de dólares à elétrica.

Apanhados no fogo cruzado estão os consumidores, impedidos de refrescar as suas casas, mas sobretudo os mais velhos e pobres, vítimas de desidratação.