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Tailândia quer ensinar jornalistas a fazerem perguntas

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Jornalistas tailandeses e estrangeiros foram convidados para uma reunião, na próxima semana, com responsáveis de entidades oficiais da Tailândia

MANAN VATSYAYANA/AFP

A medida, no mínimo caricata, vem acentuar ainda mais as violações da liberdade de imprensa no país, que já foi um dos mais livres do sueste asiático no que respeita aos "media"

O Conselho Nacional tailandês para a Paz e a Ordem (NCPO) anunciou que vai reunir-se, na próxima semana, com 200 jornalistas nacionais e internacionais para lhes ensinar a colocar "questões construtivas" e a "não distorcer os factos", pode ler-se no jornal "Bangkok Post". 

O organismo estatal pretende que os repórteres deixem de importunar o primeiro-ministro, Prayut Chan-o-cha, e todo o seu gabinete como perguntas provocadoras, afirma o jornal. A ideia de organizar a reunião que juntará jornalistas, soldados e polícias, terá surgido na sequência de algumas situações de conflito entre entidades oficiais, alegadamente motivadas por questões colocadas por elementos da Comunicação Social. 

"Não tive qualquer ordem superior, mas é meu dever construir relações saudáveis e entendimento mútuo com os 'media'", anunciou o general Suchart Pongput, um alto responsável do exército tailandês. 

Pongput disse ainda que o NCPO pretende promover encontros frequentes com os jornalistas, que poderão realizar-se em ambiente descontraído, entre refeições, ou enquanto praticam desporto. 

Censura nos "media" tailandeses 
Esta aparente descontração mascara uma clara violação da liberdade de imprensa no país, que tem vindo a agravar-se. Centenas de pessoas que se manifestaram e criticaram o regime através dos "media" foram presas no último ano, enquanto os meios de Comunicação Social locais sofrem mais censura e auto-censura. 

O próprio general Pongput afirmou que chama muitas vezes a atenção de editores que publicam fotografias ou histórias inapropriadas, sem precisar de ordens do primeiro-ministro Prayut para o fazer. 

Este, por seu lado, defende que as estações de televisão ou os jornais que "incorram em infrações" devem ser encerrados e fiscaliza "todas as páginas e colunas de opinião de todos os jornais" tailandeses.

"Tática de intimidação" 
O responsável pela delegação asiática da Human Rights Watch, Phil Robertson, apelidou a futura reunião entre jornalistas e autoridades tailandesas de "tática de intimidação", afirma a Al-Jazeera. 

"É bastante claro que [o Governo militar] não entende o conceito de liberdade de imprensa e de que as únicas notícias que lhe agrada são as que seguem a linha do próprio Governo", afirmou Robertson, que lamentou que "um país que há cinco ou dez anos era tido como o mais livre do sueste asiático em relação aos 'media' tenha regredido desta maneira".