Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Proposta apresentada à Europa divide o Syriza: “É pior que o primeiro memorando”

  • 333

Manifestação de apoio à Grécia em Lisboa, esta segunda-feira

RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Novas medidas de austeridade geram declarações duras de alguns membros do partido maioritário da coligação governamental: “Um acordo com base nestas propostas é uma lápide para a Grécia”

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

"É pior do que o primeiro memorando." Foi assim que o deputado do Syriza Yannis Michelogiannakis classificou a proposta do Governo grego apresentada esta segunda-feira aos credores, que deverá gerar receitas no valor de quase dois mil milhões de euros, muito graças a mexidas em impostos e ao aumento das contribuições para a segurança social. "Um acordo com base nestas propostas é uma lápide para a Grécia", acrescentou o deputado, citado pelo jornal grego "Enikos".

Várias vozes dentro do Syriza levantaram-se esta terça-feira para criticar as propostas gregas, sobretudo devido à quebra de algumas "linhas vermelhas", como o aumento progressivo da idade da reforma e as limitações às reformas antecipadas, a que se soma o aumento da carga fiscal. 

"Acredito que [estas medidas] não estão em linha com os princípios da esquerda", declarou o líder parlamentar do Syriza Alexis Mitropoulos, que classificou a proposta como uma "carnificina social". Uma das fações mais à esquerda do partido, a Tendência Comunista, emitiu mesmo um comunicado onde insta os deputados do partido a votarem contra a proposta no Parlamento.

Apesar das críticas, não é certo que o Syriza chumbe a proposta do Governo no Parlamento helénico. Nick Malkoutzis, editor do jornal "Kathimerini", considera que ainda é cedo para perceber se estas opiniões são individuais ou se representam o ponto de vista de uma fação do partido.


Por outro lado, pormenores do acordo poderão ajudar a suavizar a posição mais radical de alguns deputados. Stathis Leoutsakos, por exemplo, declarou ao "Enikos" que prefere esperar para ver se a proposta de acordo incluirá alguma referência a uma renegociação da dívida. Tal medida poderia ajudar o grupo parlamentar do Syriza a aceitar as cedências noutros pontos.

Mesmo que assim não seja e alguns deputados votem contra, tal não significa que a proposta seja chumbada. Stavros Theodorakis, líder do partido To Potami, declarou a semana passada que o seu partido está disponível para apoiar qualquer medida que garanta um acordo entre a Grécia e os credores oficiais.