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Pânico e tragédia no Paquistão: calor mata 700, exército intervém

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O refrescamento possível - temperaturas chegaram aos 45 graus

AKHTAR SOOMRO / Reuters

Elevadas temperaturas são relativamente comuns durante o verão, mas os prolongados cortes de energia elétrica potenciaram a crise atual

O primeiro-ministro do Paquistão ordenou às Forças Armadas para irem em auxílio da população da província de Sindh, no sul do país, onde uma intensa vaga de calor já provocou a morte, nos últimos quatro dias, de 612 pessoas em hospitais públicos e 80 nos privados. Sobretudo idosos pobres.

De acordo com a Autoridade Nacional para a Gestão de Catástrofes paquistanesa, Nawaz Sharif deu ordem aos militares para montarem centros de assistência onde os mais fracos se possam abrigar do calor extremo. Na maior cidade desta província, Carachi, a temperatura do ar atingiu os 45 graus nos últimos dias.

A alegada passividade do Executivo está a ser duramente criticada pelos jornais paquistaneses. O “The Nation”, por exemplo, sublinha a incapacidade do Governo para garantir o fornecimento ininterrupto de energia elétrica, enquanto o “The News” chega à conclusão que esta catástrofe é um sinal evidente de que a pobreza é sistematicamente ignorada pelos responsáveis políticos.

Já o “Ummat”, em língua urdu, acusa a companhia das águas de Carachi de tentar disfarçar a sua “ineficiência e letargia” para lidar com esta grave situação, culpando a empresa que fornece a energia elétrica, a K-Electric. “O problema não ficará resolvido com a troca de acusações”, escreve o jornal.

As elevadas temperaturas são relativamente comuns durante o verão, mas os prolongados cortes de energia elétrica potenciaram a crise atual, conta o correspondente da BBC, Shahzeb Jillani. Protestos esporádicos surgiram em algumas zona de Carachi, com os manifestantes a culparem a K-Electric pela morte de muitas pessoas, acrescenta.

“No nosso bairro não há eletricidade desde manhã”, disse segunda-feira ao jornalista da BBC um residente em Carachi. “Já reclamámos por diversas vezes, mas não obtivemos resposta da K-Electric”, acrescentou este habitante, que juntamente com a sua família, tal como muitas outras nessa zona da cidade, decidiram faltar ao trabalho para não terem de enfrentar as elevadas temperatura no exterior.

O instituto meteorológico do Paquistão prevê um arrefecimento progressivo do ar já a partir desta terça-feira.