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Obama usou a palavra (quase) proibida. Porque “a sociedade não está curada”

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Aude Guerrucci-Pool/ Getty Images

Ainda há poucos dias, o próprio presidente dos EUA foi vítima de uma piada racista: “Sabem como é o café Obama? Preto e fraco”

Barack Obama disse a palavra (quase) proibida nos EUA - "nigger". Porque a sociedade "não está curada". Porque há um problema de racismo. Porque a América ainda tem problemas com o seu passado. Porque usar e proferir uma palavra ofensiva não é a medida para definir o racismo.

"Não estamos curados do racismo. E não se trata apenas de uma questão de não ser educado dizer 'nigger' em público", disse Obama numa entrevista ao comediante Marc Maron, esta segunda-feira. O líder norte-americano acrescentou que a sociedade ainda não conseguiu esquecer a história das últimas centenas de anos, o que "lança uma longa sombra e isso continua a ser parte do nosso ADN". "Não estamos curados disso. Não é da noite para o dia que as sociedades apagam completamente tudo o que aconteceu nos últimos 200 a 300 anos."  

Em inglês, "nigger" é considerado uma ofensa grave - é utilizada com tom pejorativo nas referências à comunidade afro-americana. Apesar de a palavra ter um efeito brutal entre os norte-americanos, Barack Obama garante que não é isso que mede o racismo: "Não se trata apenas de uma questão de não ser educado dizê-la em público. Essa não é a medida para definir se o racismo existe ou não." 

Não é a primeira vez que o chefe de estado dos EUA fala abertamente sobre o racismo, chegando mesmo a contar alguns episódios por que passou antes de chegar à Casa Branca - foi confundido com um empregado de mesa numa festa em que usava smoking e, quando vivia em Chicago, tinha muitas dificuldades em apanhar um táxi.  

"Devemos ser perseverantes, porque tipicamente o progresso faz-se por etapas, é progressivo. Quando se trata de algo que está enraizado numa sociedade, como o racismo ou a discriminação, vocês devem estar vigilantes", disse o presidente dos EUA no final do ano passado. 

Os Estados Unidos da América têm sido assombrados por uma série de acontecimentos ligados ao racismo. O mais recente caso aconteceu na última quarta-feira, quando um jovem de 21 anos atacou uma igreja afro-americana, em Charleston, na Carolina do Sul. Morreram nove pessoas.  

Há ainda muita discussão sobre o uso excessivo de força policial na relação entre as autoridades e as minorias. Em março deste ano, as ruas de Ferguson encheram-se de manifestantes precisamente por um caso do género - que foi gerado pela morte de um cidadão afro-americano às mãos da polícia.

Incidente diplomático

Ainda há poucos dias, o próprio Obama foi vítima de uma piada racista no Twitter. O tweet foi escrito pela mulher do vice-primeiro-ministro e ministro do interior de Israel, Judy Mozes. 

"Sabem como é o café Obama? Preto e fraco", escreveu Mozes no Twitter. Bastaram algumas horas para o tweet ser apagado e desfazer-se em pedidos de desculpa.