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O desconforto de Portugal, segundo o "Financial Times"

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RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Se a Grécia cair, Portugal é o próximo, escreve o jornal. Artigo cita declarações recentes do ex-ministro Teixeira dos Santos, que diz que já viu este filme

Os cofres até podem estar cheios, como diz Maria Luís Albuquerque, e para os líderes europeus Portugal até pode ser o exemplo brilhante de que a austeridade dá resultado. Mas nada disto salva o país da turbulência dos mercados se a Grécia sair do euro. "Portugal é o elo mais fraco."  

Num artigo publicado esta terça-feira pelo "Financial Times", é deixado claro que Portugal não fica numa posição nada confortável com a situação na Grécia. Caso os helénicos deixem a zona euro, Portugal é o próximo a cair. “Portugal, depois da Grécia é o elo mais fraco na zona euro", refere Antonio Roldán, consultor de risco da Eurasia Group, citado no artigo.

"O crédito a Portugal é visto como o mais arriscado na Europa a seguir à Grécia. Tem uma grande dívida pública em percentagem do PIB, foi sujeito a um resgate e não tem o poder económico de outros países devedores como a Itália", explica Lyn Graham-Taylor, do Rabobank, citado pelo jornal.

A justificar a teoria, o "Financial Times" cita declarações recentes do ex-ministro das finanças Fernando Teixeira dos Santos: em entrevista à Renascença, defendeu que a almofada de segurança que o Governo afirma ter, de 17,3 mil milhões de euros, "terá um efeito que será importante no curto prazo, mas tenho dúvidas que tenhamos capacidade para resistir a um braço-de ferro mais prolongado com os mercados, se esse cenário se vier a desenhar". O que está a acontecer é "um filme que já vi antes". 

Portugal deixou o programa de resgate no ano passado. Este ano já se espera que o défice fique abaixo dos 3%  do PIB. A economia tem crescido nos últimos quatro trimestres, mas mesmo assim Portugal continua a ser uma dos países mais endividados da Europa. A dívida pública ronda os 130% do PIB. 

Apesar do que parece um caso de sucesso dos planos de resgate financeiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) continua a avisar  que fatores como a alta taxa de desemprego e a grande dívida pública fazem de Portugal um país extremamente frágil. 

Se a situação se complicar com a Grécia, os investidores temem que a crise financeira da zona euro se volte a repetir. "Portugal seria o primeiro da linha a sofrer com o contágio caso o Grexit se materialize", afirma António Barroso, analista político, citado no referido artigo do "Financial Times".   

Portugal: coqueluche aos olhos da Europa

Para os líderes europeus, Portugal é o que a Grécia deveria ter sido: cooperou com os credores, sobreviveu à austeridade e a três anos num programa de resgate financeiro.Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças alemão,  chegou mesmo a usar o caso português como uma prova de que os programas de ajustamento resultam

Na semana passada, as tensões entre Atenas e os credores aumentaram - paralelamente, e em Portugal, os custos de empréstimo atingiram o valor mais alto do ano, contrariando a tendência registada nos últimos meses, em que os valores estavam em queda. Tensão com os gregos foi sinónimo de custos de empréstimos a disparar em Lisboa. 

Mas Passos tranquiliza. "Se algo de muito sério acontecer com a Grécia, Portugal não será o próximo a cair. Temos capacidade para resistir a qualquer grau de volatilidade nos mercados este ano e estamos bem preparados para [cobrir] o primeiro semestre de 2016."