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Grécia: Acordo pode abrir a porta à transferência de 1,9 mil milhões

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Pedro Passos Coelho diz que resta pouco tempo para que “uma solução possa ser encontrada e para que possa funcionar dentro do timing”. Primeiro-ministro não sabe como Atenas vai pagar ao FMI no dia 30 de junho. Um acordo esta semana pode, no entanto, abrir caminho para a devolução dos lucros que o BCE fez com a dívida grega.

Susana Frexes, correspondente em Bruxelas

Ainda não há acordo mas há uma forte pressão para que uma solução resolva o impasse grego ainda esta semana. Diz o primeiro-ministro português que a Cimeira do euro foi importante para mostrar “o compromisso político de todos os Estados-membros” da moeda única num entendimento tão rápido quando possível.

Aumenta a expectativa de que um acordo possa ser alcançado nas próximas 48 horas. Primeiro ao nível técnico, entre as autoridades gregas e as três instituições - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – e depois ao nível do Eurogrupo.

Uma nova reunião dos ministros das Finanças da moeda única deverá ter lugar na quarta-feira. A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, fala na necessidade de “muito trabalho” nas próximas 48 horas mas a confirmar-se o consenso entre as novas propostas apresentadas por Atenas e as condições dos credores poderá estar para breve o desfecho do impasse.

O problema, no entanto, está na necessidade de uma decisão positiva do Eurogrupo ser aprovada também em alguns dos parlamentos nacionais dos países da moeda única, incluindo na Alemanha e na Finlândia.

Na reunião da semana passada, no Luxemburgo, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, tinha dito que era impensável que o dinheiro das tranches em atraso do programa de assistência chegasse a Atenas antes do dia 30, tendo em conta todos os procedimentos necessários.

Para além da tranche do Fundo Europeu de Estabilização Financeira de 1,8 mil milhões de euros e da tranche do FMI de 3,5 mil milhões, está também bloqueada a devolução dos lucros que o eurosistema – BCE e bancos centrais nacionais do euro - fez com a dívida grega em 2014.

De acordo com fonte europeia, a transferência dos lucros de 1,9 mil milhões de euros poderá não necessitar da aprovação dos parlamentos nacionais, ao contrário do que acontece com as tranches em atraso do resgate. Um “sinal” que já terá sido dado a Atenas e uma hipótese que poderá vir a estar em cima da mesa caso haja acordo nos próximos dias. Um acordo é, em todo o caso, essencial. Uma solução que serviria de estímulo ao executivo helénico que tem dito que sem o dinheiro dos credores não consegue garantir o reembolso de mais de 1,5 mil milhões de euros ao FMI.

Questionado sobre como se evitar o incumprimento por parte de Atenas – falha no pagamento ao FMI no último dia deste mês – Passos Coelho disse não ter uma resposta. “Temos realmente muito pouco tempo para que a solução possa ser encontrada e para que possa funcionar dentro desse timing”, explicou, referindo-se ao fim da extensão do resgate no final do junho.

“Estamos realmente numa situação muito apertada mas os chefes de Estado e de governo concordaram todos que enquanto tivermos tempo para trabalhar nas soluções devemos procurá-las”, acrescentou.