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Tusk faz ultimato à Grécia: "Isto não é um jogo. Ainda há tempo, mas são poucos dias"

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FOTO Olivier Hoslet/EPA

Presidente do Conselho Europeu diz que a Grécia está numa "situação crítica" e apela à sensatez do governo de Alexis Tsipras para aceitar um acordo. Primeiro-ministro grego garante que o país não tem medo da "turbulência" e que a sua saída do euro seria o "princípio do fim" da zona da moeda única

A onze dias de terminar o fim do programa de resgate aumentam os receios de um cenário de incumprimento grego. Os alertas surgem de todo o lado. Esta tarde, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, deixou um claro ultimato ao governo helénico: ou aceitam a  proposta que está sobre a mesa ou o país entra em default.

"Quatro meses de negociações não conduziram ao necessário compromisso. A reunião de ontem do Eurogrupo não serviu para terminar o impasse. Este jogo da galinha precisa de acabar e o jogo da culpa também. Porque no fundo isto não é um jogo, não há tempo para qualquer jogo", afirmou Donald Tusk, apontando para as consequências no caso de não ser alcançado um acordo.

"É real a possibilidade de consequências, que surgem em primeiro lugar e sobretudo para o povo grego", alertou. 

Garantindo que não tem ilusões quanto a uma "solução mágica" que possa ser conseguida na cimeira extraordinária da zona euro que decorre na próxima segunda-feira, o presidente do Conselho Europeu voltou a insistir que  a decisão está do lado dos gregos.

"Estamos próximo do ponto em que o governo helénico tem que escolher entre aceitar o que acredito ser uma boa oferta  de continuar com apoio ou entrar em incumprimento. E no final, é por isso que só pode ser uma decisão grega e exige responsabilidade dos gregos. Ainda há tempo, mas são poucos dias. Vamos usá-los adequadamente com sensatez", sublinhou.

No passado dia 11 de junho, Donald Tusk já tinha avisado que o tempo estava a esgotar-se para o governo grego, durante a conferência de imprensa final da cimeira UE-Celac (América Latina e Caraíbas). 

Do lado helénico surgem, por sua vez, outras mensagens: a saída da Grécia será o princípio do fim da zona euro  e o país não tem medo de seguir outros caminhos.."O famigerado Grexit [saída da Grécia do euro] não pode ser uma opção, nem para os gregos, nem para a União Europeia. Será um processo irreversível, será o princípio do fim da zona euro", disse Tsipras numa entrevista ao jornal austríaco "Kurier" publicada esta sexta-feira.. 

Durante o Fórum Económico de São Petersburgo, na Rússia, o primeiro-ministro grego disse também esta manhã que a Europa já não é o "umbigo do mundo", garantindo que a Grécia não tem medo da turbulência. "Somos uma nação de velejadores, sabemos como lidar com as tempestades, não temos medo de navegar em oceanos distantes", afirmou Tsipras.  

Esta sexta-feira, o BCE anunciou que decidiu aumentar os fundos disponíveis para os bancos helénicos com vista a compensar a crescente saída de depósitos, quando estão em aberto todos os cenários.

Recorde-se que a Grécia entrou em contrarrelógio - numa altura em que faltam menos de duas semanas para terminar o programa de resgate grego e o país tem que pagar as últimas prestações ao FMI - estando dependente de um acordo para o desembolso da última fatia do empréstimo de 7,2 mil milhões de euros.