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Era um massacre anunciado, mas ninguém ligou aos sinais

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Dylann Roof foi transportado para o estabelecimento prisional de Charleston

FOTO Grace Beahm/Getty Images

Jovem que matou a tiro nove pessoas numa igreja em Charleston já tinha dito que queria realizar um ataque. Uma escola ou uma universidade local seriam à partida os alvos

Mais uma vez houve alertas, mas ninguém ligou aos sinais. Dylann Roof, o jovem de 21 anos que confessou ter assassinado a tiro nove pessoas na Igreja Emanuel Metodista Episcopal Africana de Charleston e que já foi constituído arguido, terá afirmado uma semana antes que queria "magoar muita gente." Uma escola ou um campus universitário eram os alvos preferenciais. 

A revelação foi feita este sábado por Christon Scriven, um amigo do homicida confesso, ao jornal "Washington Post". "Ele disse apenas que ia magoar muita gente, de preferência na Universidade de Charleston. E eu perguntei-lhe: 'O quê? Porque queres fazer isso?' Ao que ele me respondeu: Tenho apenas sete dias", relatou o jovem ao diário norte-americano. 

Christon Scriven confessou que ele e outro amigo ficaram na altura preocupados com as afirmações de Dylann Roof, tendo até escondido a arma que o jovem transportava num ar condicionado. No entanto, terão desvalorizado depois as palavras do amigo uma vez que se encontrava na altura alcoolizado.

Família está devastada
Entretanto, a família de Dylann Roof declarou-se chocada com o crime que o filho confessou ter cometido:"Gostaríamos de expressar os nossos mais profundos sentimentos e condolências às famílias das vítimas no tiroteio de quarta-feira à noite na Igreja Emanuel em Charleston.As palavras não são suficientes para expressar o nosso choque, tristeza e descrença, como o que aconteceu naquela noite. Estamos devastados e tristes com o que ocorreu."

Testemunhas explicam que jovem assistiu durante cerca de uma hora à sessão de leitura da Bíblia na igreja Emanuel Episcopal Africana de Charleston. "Não participu na cerimónia, mas observou-a quieto", relatou à CNN Norvel Goff, um dos reverendos da igreja. Pouco depois, levantou-se e disse que estava ali para "matar negros", puxando uma arma do bolso e desatando a disparar indiscriminadamente. "Eu tenho de o fazer. Vocês violam as nossas mulheres", disse Dylann Roof. Segundo uma testemunha, o jovem escolheu os alvos e deixou uma mulher sair da igreja para "contar ao mundo o que aconteceu."

Pena de morte?
Dylann Roof conseguiu escapar num Hyndai preto, tendo sido detido na quinta-feira pelas autoridades na cidade de Shelby, a cerca de 321 quilómetros de Charleston, depois de uma florista ter alertado a polícia para a presença do jovem no local. 

Não se sabe ainda muito sobre Dylann Roof, a não ser que era defensor dos antigos regimes supremacistas brancos e que em fevereiro deste ano foi detido por posse de suboxone, uma substância que serve tratar dependências de drogas.

Alguns media norte-americanos avançam também que o jovem tinha adquirido uma pistola em abril, depois de o pai lhe ter oferecido outra arma quando completou 21 anos.

O ataque de quarta-feira à Igreja Emanuel Metodista Episcopal Africana -  uma das mais antigas congregações negras no sul dos EUA - causou a morte a seis mulheres e três homens, incluindo o pastor da igreja, Clementa Pinckney.

Dylann Roof arrisca-se a enfrentar a pena de morte. A governadora da Carolina do Sul, Nikki R. Haley, considera que o massacre na Igreja Emanuel se tratou de um "crime de ódio racial" e que o seu responsável merece ser punido com a pena capital.