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Direita volta ao lugar de protagonista no reino da Dinamarca

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Lars Loekke Rasmussen será com grande probabilidade o próximo primeiro-ministro da Dinamarca

REUTERS

As eleições desta quinta-feira causaram um terramoto político na Dinamarca. A chefe do Governo, Helle Thorning-Schimdt, anunciou dupla demissão, do cargo e do partido, enquanto a coligação de centro-direita se prepara para agarrar o poder

A primeira-ministra Helle Thorning-Schimdt renunciou à liderança do Partido Social Democrata e anunciou que também se demitirá do cargo de chefe do Governo dinamarquês, depois de um resultado catastrófico nas eleições legislativas desta quinta-feira.

Apesar dos sociais democratas terem arrecadado a maior percentagem dos votos, 26,3%, os seus parceiros de coligação falharam na superação dos resultados obtidos pela coligação de centro-direita, que recuperou o poder, com o Partido Popular Dinamarquês (Dansk Folkeparti, cuja sigla é DF) a posicionar-se como a segunda maior força política no Parlamento. 

O partido anti-imigração DF conseguiu o melhor resultado de sempre e quase duplicou o apoio conquistado nas eleições de 2011. Mesmo não se sabendo por enquanto se irá ou não integrar o Governo, certo é que conseguiu obter 21,1% dos votos, deixando o terceiro lugar para o partido Venstre de Rasmussen (19,5%), segundo avança a BBC.

Oposição apoia Rasmussen
Lars Lokke Rasmussen, perfila-se, agora, como o futuro primeiro-ministro, uma vez que conta com o apoio de toda a oposição. Num discurso de vitória, proferido pouco antes das duas da madrugada locais (menos uma hora em Portugal), Rasmussen - que governou o país entre 2009 e 2011 - recordou o momento vivido quando perdeu o poder há quatro anos.  

"Entregámos as chaves do gabinete de primeiro-ministro. Na altura afirmei que era apenas um empréstimo". Conhecido pelas suas posições extremadas sobre a imigração, Rasmussen disse ainda que fará pressão para "controlar o fluxo de refugiados". 

O triunfo da oposição foi bem mais folgado do que previam as sondagens dos dias anteriores e à boca das urnas, que lhe davam apenas uma ligeira vantagem e lhe concediam um papel decisivo nos quatro mandatos dos territórios autónomos da Gronelândia e das Ilhas Faroé. 

Governo estável?
O futuro Governo dinamarquês poderá formar-se nos próximos dias. O que pode esperar-se desta amálgama de partidos de centro-direita?, questiona o site americano "Politico". E dá a resposta: "Existem substanciais diferenças políticas entre o Partido Popular Dinamarquês (DF) e os restantes membros do novo governo de coligação".  

Desde logo o DF é um partido anti-UE, enquanto o Partido Venstre de Løkke Rasmussen é habitualmente o partido mais pró-UE no Parlamento. Ao mesmo tempo, o DF está mais próximo dos sociais democratas no que respeita às políticas da Saúde. É ainda contra os cortes no setor público, enquanto a Aliança Liberal, outro dos membros desta coligação, defende um Estado mais reduzido.  

Os comentadores políticos vaticinam tempos difíceis para Løkke Rasmussen, que terá de conciliar as diferenças, formando um Governo com um programa político comum.