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Ministros católicos, indiretas a Varoufakis e referências a batalhas históricas: o Eurogrupo está em curso

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Eurogrupo, 18 de junho de 2015: o ambiente está assim

JULIEN WARNAND / EPA

Um ministro que se diz católico, outro que critica as longas explicações do homólogo grego e um representante europeu que quer evitar uma nova batalha de Waterloo. À entrada do Eurogrupo, em mais um dia tenso para as negociações com a Grécia, as declarações dividem-se entre a esperança e o ceticismo

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

"Temos perdido muito tempo, mas eu acredito em milagres. Sou católico, por isso tenho de acreditar." Peter Kazimir, o ministro das Finanças eslovaco, foi um dos primeiros a chegar à reunião do Eurogrupo no Luxemburgo, esta quinta-feira de tarde, e expressou assim aos jornalistas a sua convicção de que ainda pode haver um acordo de última hora entre a Grécia e os credores oficiais.

Já as declarações do ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, foram no sentido oposto, com o político a dizer que "não há otimismo" face à reunião. Noonan insinuou também que a Irlanda já teve discussões a alto nível sobre uma possível saída da Grécia da zona euro, apesar de reforçar, como os restantes colegas, que um acordo ainda é possível. 

Yanis Varoufakis, o ministro grego, prometeu à entrada que irá apresentar "ideias" na reunião e provocou a dúvida: irá a Grécia apresentar afinal novas propostas? Noonan reagiu ao comentário de Varoufakis com ceticismo: "Já ouvi as propostas do Yanis antes. Elas têm tendência a ser macroeconómicas por natureza, em vez de serem específicas. E estas propostas têm de ser específicas". 

Do lado alemão, ouviu-se falar em "otimismo", pela voz do ministro Wolfgang Schäuble. Mas, ao contrário de alguns colegas como o finlandês Alexander Stubb (que falou abertamente de um possível default grego), Schäuble foi comedido. Quando perguntado sobre os perigos de um Grexit, respondeu simplesmente que "não se deve falar sobre tudo em público". 

O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, optou pela referência histórica, dizendo que os líderes europeus esperam ouvir propostas gregas e evitar "uma nova Waterloo", numa referência aos 200 anos da batalha histórica, que se assinalam esta quinta-feira. 

A reunião do Eurogrupo teve início por voltas das 15h.