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Este número é uma tragédia: 60.000.000

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FOTO REUTERS/Bassam Khabieh

Imagine a população de Portugal. Agora imagine seis vezes a população de Portugal. E então imagine toda essa gente em fuga do seu país - para sobreviver, forçados a deixar as suas casas, onde a tragédia lhes chegou à porta. E agora imagine que metade desse número refere-se a crianças. E agora não imagine, porque é mesmo realidade: o número de deslocados e refugiados atingiu um máximo histórico

Deixar tudo para trás, tudo pela sobrevivência. São cada vez mais as pessoas em todo o mundo que passaram por esta situação, revela um relatório divulgado esta quinta-feira pela Agência da ONU para os Refugiados, ACNUR. Em 2014, o número de deslocados e refugiados ascendeu a 60 milhões, o que equivale a um crescimento de 8,3 milhões face ao ano anterior. Registaram-se 19,5 milhões de refugiados e 38,2 milhões de deslocados no ano passado.

Por dia, o número de deslocados e refugiados subiu para cerca de 42.500 pessoas, mais de metade dos quais são crianças, segundo o relatório de Tendências Globais da ACNUR: "Mundo em Guerra".

Os autores do estudo concluem que uma em cada 122 pessoas no mundo é deslocada, refugiada ou está à procura de asilo devido à perseguição, violência, conflitos ou guerras. 

É sobretudo o conflito na Síria - que assinala quatro anos - que tem sido responsável pelo crescimento do número de refugiados a nível global. Registaram-se cerca de 3,9 milhões de refugiados sírios e 7,6 milhões de deslocados no país.

"Estamos a assistir a uma mudança de paradigma, a um resvalo para uma era em que a escalada de deslocações forçadas está a superar claramente o que vimos antes", afirmou António Guterres, Alto-comissário para os Refugiados das Nações Unidas.

Segundo Guterres, o drama é que a ajuda humanitária revela-se insuficiente. "Já não é possível. Cada vez mais pessoas estão a sofrer e para muitas delas não há hipótese de serem ajudadas", lamentou.

O relatório sublinha que pelo menos 15 conflitos emergiram ou ressurgiram nos últimos cinco anos, nomeadamente oito no continente africano e três no Médio Oriente. 

Guterres realça também a existência de 6,7 milhões de deslocados na Europa, o que corresponde a uma subida de 50% face ao conflito na Ucrânia e à crise de migrantes no Mediterrâneo.

Por outro lado, cerca de 1,8 milhões aguardam respostas a pedidos de asilo. A Alemanha e a Suécia são os países mais escolhidos, indica o relatório.  

Os países que receberam em 2014 mais refugiados foram a Turquia, seguida do Paquistão e do Líbano, com 1,59 milhões, 1,51 milhões e 1,15 milhões pessoas respetivamente.