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Donald Trump ofende mexicanos e perde apoio da comunidade latina

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Donald Trump já prometia entrar na corrida presidencial desde os anos 80

FOTO Christopher Gregory/Getty

O magnata e candidato republicano à Presidência dos EUA disse que o México envia "traficantes"  e "violadores" para o país. Comunidade hispânica considera declarações ofensivas e garante que não apoiará o empresário "idiota"

Começou mal, muito mal. Pelo menos para a comunidade de mexicanos nos EUA e para os latinos de um modo geral. Esta terça-feira, durante o anúncio da sua candidatura à Presidência, Donald Trump garantiu ter o perfil de um "grande líder", aquilo que na sua visão o país necessita depois de estar habituado a dirigentes "estúpidos" e "falhados". 

As palavras do magnata e candidato republicano que prometeu ser o "melhor presidente que Deus alguma vez criou" não demoraram, contudo, a virar-se contra si quando classificou os mexicanos de "criminosos" e "violadores": "O México não não envia para aqui a sua melhor gente. Está a enviar gente com muitos problemas: que trazem drogas, crime, ou são violadores. Admito que alguns sejam boas pessoas, mas falo com guardas fronteiriços e é essa a ideia comum", declarou Donald Trump citado pela CNN.

O empresário e estrela de um reality show garantiu que caso seja eleito Presidente dos EUA mudará radicalmente a política de emigração, prometendo construir um muro com mais de 3 mil quilómetros na região fronteiriça que será "pago pelo México".

"São palavras totalmente ofensivas. Na verdade, este homem tem uma patologia e só procura atenção. É absolutamente idiota porque fala em coisas que não têm qualquer base de realidade", disse ao "Guardian" Lisa Navarrete, porta-voz do Conselho Nacional de La Raza, a maior associação hispânica de Direitos Humanos nos EUA.

Segundo a responsável é devido a casos como estes que os cidadãos latinos se sentem tão afastados das ideias republicanos. "Espero que os membros mais racionais do Partido Republicano possam pôr fim a este tipo de situações e que sejam construtivos no futuro", acrescentou Lisa Navarrete .

Desde os anos 80, Donald Trump prometia entrar na corrida à Casa Branca mas só agora, aos 69 anos, é que decidiu avançar oficialmente com a candidatura que segundo o próprio é financiada apenas com o seu capital: "Não preciso de dinheiro, sou realmente rico", assegurou o excêntrico empresário.

Na ala republicana, dois candidatos presidenciais contam pelo contrário com o apoio dos cidadãos hispânicos: Jeb Bush, ex-governador da Flórida e filho de George H. W. Bush e irmão de George W. Bush - dois anteriores Presidentes norte-americanos conservadores - que anunciou um dia antes a sua candidatura e é casado com uma mexicana, enquanto Marco Rubio, que anunciou em abril a entrada na corrida à Casa Branca, é filho de emigrantes cubanos que chegaram ao país em 1956.