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Suíça investiga 53 casos suspeitos de lavagem de dinheiro na FIFA - e admite chamar Blatter a depor

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O procurador-geral suíço, Michael Lauber, diz que o processo que envolve dirigentes e ex-dirigenets da FIFA é muito complexo

FOTO FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images

Procurador-geral helvético diz que o "mundo do futebol precisa de ser paciente" e admite ouvir Joseph Blatter e Jerome Valcke, a propósito de casos suspeitos relativos à atribuíção dos Mundiais de futebol de 2018 e 2022

"O processo da FIFA é de enorme complexidade e tem muitas implicações internacionais. Estamos a analisar nove terabytes de dados", afirmou esta quarta-feira o procurador-geral suíço, Michael Lauber, numa conferência de imprensa em Berna, revelando que a investigação está a analisar 53 possíveis casos de lavagem de dinheiro e 104 transações bancárias suspeitas.

Os casos suspeitos dizem respeito à atribuição da realização dos Mundiais de futebol de 2018, à Rússia, e de 2022, ao Qatar, tal como já tinha sido avançado por alguns media locais.

Negando adiantar o valor das transferências, Michael Lauber sublinha que as transações bancárias sob suspeita estão relacionadas com vários bancos na Suíça, o que torna mais difícil  a investigação. "O mundo do futebol precisa de ser paciente. A natureza da investigação leva a crer que demorará bem mais tempo que os 90 minutos de um jogo", referiu o procurador citado pelo jornal "The Guardian", acrescentando que este processo poderá durar meses, senão mesmo anos.

Michael Lauber diz reconhecer o elevado interesse público no caso, mas explica que o segredo de Justiça visa salvaguardar as provas no processo. Admite ainda que "todas as pessoas importantes" poderão ser ouvidas pelas autoridades suíças, nomeadamente o presidente demissionário da FIFA Joseph  Blatter e o secretário-geral Jerome Valcke.

"Nós não começámos a investigação sobre a FIFA. Nós passamos a investigar o organismo com base em relatórios e pedidos de informações por parte das autoridades norte-americanas", realça o procurador, garantindo porém que as duas investigações são totalmente independentes.  

Recorde-se que Domenico Scala, responsável pelo departamento de auditoria da FIFA, já admitiu mudar a sede da organização dos Mundiais de 2018 e 2022 caso sejam provados atos de corrupção para  escolha dos países anfitriões. 

O Departamento de Justiça dos EUA acredita que 14 dirigentes e ex-dirigentes da FIFA aceitaram subornos no valor de 150 milhões de dólares (135 milhões de euros) ao longo de 24 anos.

Joseph Blatter está também a ser investigado pela Procuradoria norte-americana e pelo FBI, o que o terá levado a renunciar ao cargo de presidente da FIFA no passado dia 2 de junho, quatro dias depois de ter sido reeleito.