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Internacional

Rússia/EUA: braço de ferro sofisticado sobre a Europa

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Os Estados Unidos estão dispostos a enviar para a Europa o seu caça mais sofisticado, o F22 Raptor

© US AIR FORCE / Reuters

Moscovo quer reforçar o seu arsenal nuclear com mísseis tecnicamente avançados. Em defesa do Velho Continente, Washington está na disposição a enviar para a Europa os seus caças mais sofisticados. Uma escalada como nos tempos da Guerra Fria

Margarida Mota

Jornalista

O Presidente da Rússia quer reforçar o arsenal nuclear do país com mais 40 novos mísseis balísticos intercontinentais, capazes de derrotar até os sistema de defesa anti-mísseis tecnicamente mais avançados. Vladimir Putin subiu a parada durante a inauguração de uma mostra de armamento, perto de Moscovo, na terça-feira. Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, de pronto considerou o anúncio injustificado, desestabilizador e perigoso.  

A escalada na retórica bélica de Moscovo seguiu-se à divulgação de planos, por parte dos Estados Unidos, visando o estacionamento de blindados e armamento pesado em países da NATO fronteiriços à Rússia. A intenção foi vista em Moscovo como o passo mais agressivo do Pentágono e da NATO desde a Guerra Fria, nas palavras do general Yuri Yakubov, responsável do Ministério da Defesa. A Rússia não terá opção senão fortalecer as suas forças e recursos na frente estratégica ocidental.

Os Estados Unidos estão a incitar tensões e a alimentar fobias antirrussas junto dos seus aliados europeus para se aproveitarem da difícil situação atual e expandirem a sua presença militar e influência na Europa”, acusou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov. Esperemos que a razão prevaleça e que seja possível impedir que a situação na Europa deslize no sentido de um impasse militar que poderia acarretar consequências perigosas.

Países do Leste querem mais proteção
A recuperar de uma cirurgia após ter partido uma perna, o secretário de Estado norte-americano surgiu de surpresa numa teleconferência com a sala de imprensa do Departamento de Estado e abordou a tensão com a Rússia . Estamos a tentar ir na direção oposta [ao anúncio de Putin], disse John Kerry. “Desenvolvemos uma enorme cooperação desde os anos 90 relativamente ao armamento nuclear nos territórios da antiga União Soviética. Ninguém quer ver-nos a andar para atrás...

A relação entre Rússia e Ocidente degradou-se acentuadamente na sequência da anexação russa do território ucraniano da Crimeia, em março do ano passado, e do apoio de Moscovo a grupos separatistas no leste da Ucrânia. Estados Unidos e União Europeia puniram a Rússia com sanções económicas, mas a resposta poderá não ficar por aqui.

Segundo a CNN, os Estados Unidos poderão enviar para a Europa alguns dos seus aviões de guerra mais sofisticados, os F22 Raptor, para participarem nos exercícios que duram há meses no âmbito da Operação Atlantic Resolve (Resolução Atlântica, numa tradução literal). Consigo facilmente ver o dia  embora não consiga dizer o dia exato  em que a rotação dos F-22, por exemplo, seja uma possibilidade, admitiu a secretária norte-americana da Força Aérea, Deborah James. Não vejo razão para que isso não possa acontecer no futuro.

Recentemente, os três países bálticos membros da Aliança Atlântica  Estónia, Letónia e Lituânia  solicitaram à organização a colocação de tropas terrestres com caráter permanente nos seus territórios, como forma de dissuadir a agressividade crescente na retórica de Moscovo. No passado fim de semana, outro país do Leste, a Polónia, confirmou estar a negociar com os Estados Unidos o aumento da presença militar norte-americana no país.