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Bruxelas sobre a Grécia: estamos a ser “flexíveis”, “razoáveis” e “é falso” que forçámos mais austeridade

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ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Comissário europeu diz que a Grécia ainda não respondeu às últimas contrapropostas de Bruxelas. Vem aí nova reunião dos ministros das Finanças do euro

A reunião desta quinta-feira que deveria desbloquear a tranche em atraso do programa de assistência à Grécia poderá não ir além de mais “um ponto de situação” sobre o impasse nas negociações. 

Os ministros das Finanças da zona euro vão ouvir os representantes das instituições – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – e o ministro grego das finanças, Yanis Varoufakis, mas perante a falta de um acordo técnico entre gregos e credores oficiais, não terão qualquer base para tomar uma decisão política. 

“Acho que vai ser uma discussão curta”, adianta um alto responsável do Eurogrupo, sublinhando que “a bola continua no campo grego”. 

Já o comissário para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, espera que a reunião de ministros da moeda única seja, pelo menos, “útil”. Bruxelas continua à espera que Atenas dê continuidade ao jogo das negociações. 

“O presidente Juncker fez pessoalmente propostas ao primeiro-ministro Tsipras para evitar que houvesse aumentos do IVA sobre os medicamentos e sobre outros sectores da mesma natureza. E esperamos ainda pela resposta”, disse esta quarta-feira o comissário para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici. 

Depois de Jean-Claude Juncker ter acusado terça-feira Alexis Tsipras de deturpar as propostas da Comissão, Moscovici volta a dizer que “é totalmente falso” que o executivo comunitário tenha tentado impor austeridade à Grécia. 

“As propostas que fazemos são perfeitamente razoáveis”, voltou a defender o comissário francês, dando como exemplo “a grande flexibilidade” mostrada pelas instituições durante as negociações técnicas. 

“Os excedentes orçamentais (primários) pedidos à Grécia não são, de todo, da mesma grandeza pedida anteriormente. Antes era de 3% (do PIB) em 2015 e hoje estamos a falar de 1%. Deveria ser de 4,5% em 2016 e estamos agora a falar de 3,5% em 2018”, justificou Pierre Moscovici, que nega ainda uma imposição de cortes brutais nas pensões. 

“Queremos proteger os que têm pensões modestas, mas, por outro lado, o sistema que é hoje um dos mais caros da Europa deve ser sustentável”, concluiu. 

Os ministros das Finanças da moeda única reúnem-se esta quinta-feira no Luxemburgo. O impasse grego será o tema quente do encontro, numa altura em que faltam 13 dias para o fim da extensão do resgate. No dia 30 de junho, Atenas tem também de reembolsar mais de 1,5 mil milhões de euros ao FMI.  

Perante a falta de acordo entre gregos e credores oficiais, continuam bloqueados 7,2 mil milhões de euros referentes às tranches em atraso do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (1,8 mil milhões) e do Fundo Monetário Internacional (3,5 mil milhões), e ainda aos lucros que o BCE e os bancos centrais nacionais fizeram com a dívida grega (1,9 mil milhões).