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Air France leva principal sindicato dos pilotos a tribunal

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As relações entre a Air France e o principal sindicato de pilotos deterioram-se depois de 15 dias de uma dura greve em setembro de 2014, que causou 400 milhões de euros de prejuízo à companhia

STEPHANE DE SAKUTIN/AFP/Getty Images

Em dificuldades financeiras, transportadora aérea francesa declara guerra aos pilotos por incumprimento de acordos sobre cortes de regalias

A decisão inédita da Air France de apresentar queixa em tribunal contra o Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha (SNPL), o principal da profissão, visa atacar "os seus privilégios”, acusando-os de incumprimento dos acordos assinados na empresa no quadro do plano Transform 2015, que foi aprovado por referendo interno há cerca de três anos. 

Os pilotos são acusados de terem apenas satisfeito 67% das restrições previstas, ao contrário do resto do pessoal da companhia, que está em vias de atingir a totalidade dos objetivos. 

A direção da Air France diz que faltam 70 milhões de euros de cortes nas regalias dos pilotos, o que o sindicato contesta. 

Greve custou 400 milhões de euros
As relações entre as duas partes deterioram-se depois de 15 dias de uma dura greve dos pilotos, em setembro de 2014. Desde essa altura, as negociações nunca estiveram em vias de chegar a qualquer acordo e estão hoje em ponto morto. 

Segundo a Air France, a greve fez perder à empresa cerca de 400 milhões de euros e agudizou a má situação financeira do grupo, que garante sofrer com a concorrência, designadamente das companhias "low cost". Pelo seu lado, o SNPL recusa aceitar mais sacrifícios e acusa a direção de “falta de ambição, de estratégia e de visão de futuro”. 

A guerra agudizou-se porque Air France deseja lançar um novo plano de cortes de 80 milhões de euros nas despesas, através do chamado projeto Perform 2020. Estão designadamente previstos novos cortes em despesas com os assalariados e igualmente o fim - ou redução - de algumas ligações a destinos não rentáveis. Vai ser também adiada a compra de novos aviões. 

  

Entre as linhas que vão desaparecer figuram algumas que servem cidades de Espanha (Vigo) e de Itália (Verona). São também anunciadas reduções de voos para o Brasil, o Japão e a Rússia.

Contestando a globalidade dos planos da direção, um porta-voz do Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha declara-se “totalmente espantado” e diz que a ação apresentada em tribunal é “extremamente agressiva”. “Ela vai complicar ainda mais o diálogo na empresa a dias da abertura de negociações do plano Perform”, indicou o porta-voz.