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Internacional

Negociações para Governo de coligação arrancam na Turquia

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O Presidente turco recusa que o seu poder tenha sido abalado pelos resultados das legislativas

UMIT BEKTAS/REUTERS

Após o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) ter perdido a maioria absoluta, uma coligação com o terceiro mais votado, o Partido Movimento Nacionalista, é encarada como a hipótese mais provável para a sua permanência no poder.

O Presidente Recep Tayyip Erdogan anunciou no domingo que iria começar por convidar o partido mais votado, o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP no original), para formar uma coligação que lhe permita continuar a governar, após ter perdido a maioria absoluta nas legislativas de 7 de junho.

Os analistas apontam para uma coligação com o terceiro mais votado, o Partido Movimento Nacionalista (PMN), como o cenário mais provável, mas não está também totalmente excluída uma aliança mais ampla, que englobe ainda o Partido Republicano do Povo (PRP), que ficou em segundo.

Erdogan referiu que caso o AKP não consiga coligar-se irá então convidar o PRP para tentar formar Governo e que só se este também não conseguir irá então avançar para novas eleições, optando por denominar esse novo ato eleitoral como uma “repetição das eleições” em lugar de “eleições antecipadas”.

“É impensável que o país fique sem um Governo”, afirmou Erdogan aos media do seu país, quando estava a bordo do avião presidencial regressando de uma visita ao Azerbaijão.

Concessões para aceitarem integrar coligação
Tanto o PRP como o PMN indicaram esperarem que Erdogan lhes faça concessões para aceitarem viabilizar um Governo de coligação, nomeadamente a sua saída do controverso palácio presidencial e a reabertura das investigações de corrupção contra três ex-ministros.

A perda da maioria absoluta por parte do AKP, que foi cofundado por Erdogan, é encarada como uma grande derrota do Presidente, que pretendia mudar a constituição para instaurar na Turquia um regime presidencial.

Erdogan, que foi primeiro-ministro entre 2003 e 2014, insiste contudo que a sua legitimidade e poder não foram abalados, frisando que foi eleito como Presidente em 2014 com cerca de 52% dos votos.

Os seus críticos notaram que ao contrário da sua habitual prontidão e eloquência no comentário aos resultados eleitorais, desta vez demorou quatro dias até falar sobre os resultados das eleições legislativas.

O Parlamento turco é composto por 550 deputados. O AKP elegeu 258, o PRP 132, o PMN e o Partido Democrático do Povo Curdo, cada um, 80.