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“Não queremos mais dinheiro.” Garantia de Varoufakis

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O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, na última sessão do Parlamento do país

ALKIS KONSTANTINIDIS / REUTERS

O ministro das Finanças grego garante em entrevista ao jornal alemão "Bild" que os gregos preferem uma reestruturação da dívida em vez de mais empréstimos. Varoufakis também compara a probabilidade de uma saída da Grécia do euro à de um cometa atingir o planeta Terra

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças grego, volta a defender a necessidade de uma reestruturação da dívida grega, num possível acordo com os credores oficiais, em entrevista ao jornal alemão "Bild", publicada esta segunda-feira.

"Essa é a única forma possível de conseguirmos garantir que pagamos tanta dívida", declara o ministro ao tabloide alemão, acrescentando que dirá imediatamente 'sim' a qualquer acordo que inclua esta medida. "Não queremos mais dinheiro".

Para Varoufakis, o envolvimento da chanceler alemã Angela Merkel é igualmente decisivo para que haja um entendimento: "Um acordo pode ser conseguido numa noite. Mas a chanceler tem de estar envolvida".

Admitindo que, com ou sem reestruturação, a Grécia necessita de uma extensão do empréstimo para fazer face aos problemas de liquidez imediatos, o ministro grego diz não crer que uma saída da Grécia da zona euro seja o mais provável, mas não excluiu de todo o cenário: "Não creio que uma 'Grexit' seja uma solução razoável", declara. "Mas não podemos pôr de parte todas as hipóteses. Nem sequer posso pôr de parte a hipótese de um cometa atingir a Terra". 

Acordo cada vez mais longe
Na mesma entrevista, Varoufakis fala sobre as negociações que têm decorrido, aparentemente sem sucesso, com a última reunião, este domingo, a durar menos de uma hora por falta de entendimento. 

Segundo o ministro, um dos problemas terá estado no IVA, com o Governo grego a propor taxas de 7%, 14% e 22% e o outro lado da mesa a insistir em taxas sobre o consumo de apenas 11% e 23%. Para Varoufakis, tais medidas seriam contraproducentes, já que uma taxa mais alta levaria a uma maior fuga ao fisco, segundo o responsável grego.

O primeiro-ministro Alexis Tsipras endureceu igualmente a retórica, criticando a falta de "realismo" da Comissão Europeia, do BCE e do FMI e a sua "insistência" em quererem cortar pensões, numa carta publicada esta segunda-feira no jornal "Efimerida ton Syntakton". "Não temos o direito de enterrar a democracia na terra onde esta nasceu", escreve o líder grego.