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Internacional

Bruxelas e Atenas: as conferências da inflexibilidade

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O Governo de Alexis Tsipras e a Comissão Europeia de Jean-Claude Juncker trocam acusações

FRANCOIS LENOIR / REUTERS

Em conferências de imprensa quase simultâneas, os porta-vozes de ambos os lados mostraram-se inflexíveis e exigiram compromissos ao outro lado. François Hollande pede: "não percamos tempo" 

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O Governo grego reuniu de urgência na manhã desta segunda-feira, na sequência das negociações falhadas com os credores oficiais no passado domingo. As conclusões foram simples: os gregos mantêm as suas "linhas vermelhas", mas continuam a querer um acordo. Que é como quem diz, esperam que haja cedências do outro lado.

"Não vamos adotar medidas para cortar pensões, aumentar o valor do IVA ou quaisquer outras medidas que agravem o círculo vicioso de austeridade", declarou o porta-voz do Executivo, Gabriel Sakellaridis. 

Pouco depois do início da conferência de imprensa em Atenas, era a vez de surgir outra porta-voz a falar sobre as negociações, desta vez em Bruxelas. "Os objetivos já foram reduzidos significativamente... Isto não é uma via de apenas um sentido", declarou Annika Briedthardt relativamente ao valor do excedente orçamental (a Comissão defendia originalmente um valor de 3,5% do PIB, exigindo agora 1%), deixando claro que é a Grécia quem tem de apresentar agora novas propostas.

Com as negociações praticamente suspensas e uma extensão de empréstimo que acaba já no dia 30 de junho, o Presidente francês, François Hollande, resolveu enviar "uma mensagem à Grécia": "Não devem esperar e devem recomeçar as negociações com as instituições", disse o Presidente aos jornalistas. "Não percamos tempo". Também Cavaco Silva, Presidente português, abordou esta segunda-feira o tema Grécia, dizendo que deseja que "seja encontrado um entendimento entre a troika e os negociadores gregos", mas alertando que "não há exceções" na zona euro.

Esta terça-feira de tarde, o governador do Banco Central Europeu, Mario Draghi, irá ao Parlamento Europeu. Antes disso, almoçou com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, mas, segundo a Comissão, a agenda do encontro abordava o reforço da zona euro e não a crise grega.