Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Grécia acredita até ao fim num acordo. Mas credores já estudam um plano B

  • 333

ALKIS KONSTANTINIDIS/ REUTERS

Governo grego considera que será possível alcançar um acordo até ao próximo dia 18. Mais pessimistas estão os credores que já admitem um cenário de bancarrota 

Depois do FMI ter abandonado na quinta-feira a mesa das negociações - invocando "grandes diferenças" com a delegação helénica - aumenta a pressão sobre a Grécia quando faltam menos de 20 dias para o país ter que pagar as últimas prestações do empréstimo ao organismo.

Alexis Tsipras reuniu-se esta sexta-feira na Mansão Maximos (a residência oficial do primeiro-ministro) com os seus ministros  para discutirem os próximos passos do Governo helénico nas negociações, após os credores terem dado 24 horas para a delegação grega apresentar contra-propostas, refere o jornal "Kathimerini". O prazo termina à meia-noite de sábado.

Ainda assim, o Governo grego mantém o seu habitual otimismo, acreditando que será possível alcançar um acordo até ao próximo dia 18 de junho. "Penso que um acordo chegará muito em breve até à próxima reunião do Eurogrupo", afirmou Alekos Flabouraris, ministro de Estado da Grécia, citado pela Reuters.

Sobre a possibilidade da Grécia poder falhar os próximos pagamentos de dívida, o vice-ministro das Finanças Dimitris Mardas afastou por sua vez essa hipótese. "É o nosso dever cumprir as nossas obrigações no tempo que é devido", afirmou o responsável à SKAI radio. 

Credores admitem cenário de incumprimento grego
No entanto, os credores estão mais pessimistas e admitem mesmo um cenário de bancarrota, tendo discutido pela primeira um cenário B para a Grécia, avança a Reuters. 

Também o Executivo germânico está a efetuar “consultas concretas” para perceber o que Atenas pretende fazer perante um cenário de bancarrota, escreve o jornal alemão "Bild".

O ministro alemão das Finanças, Wolfang Shäuble, defendeu que a saída do FMI das negociações constitui um "aviso" para a Grécia, enquanto o presidente do Eurogrupo, Joeren Dijsselbloem, disse esperar por "propostas sérias" do lado grego. 

Já a Comissão Europeia sublinhou que o FMI continua comprometido com a necessidade de se alcançar em breve um acordo com o governo de Tsipras. "Se lerem bem a declaração do FMI encontrarão na última frase a garantia de que continuam comprometidos com a Grécia", disse esta sexta-feira a porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas.

A Grécia enfrenta sérios problemas de liquidez, estando dependente da última fatia do empréstimo de 7,2 mil milhões de euros. Recorde-se que o Executivo helénico comprometeu-se a pagar até ao final de junho as últimas prestações do empréstimo ao FMI 

No início do mês, Alexis Tsipras considerou "absurdas" as propostas dos credores, insistindo que não aceitará ceder em relação a algumas "linhas vermelhas" como o corte das pensões e as reformas laborais.