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Escândalo sexual. Strauss-Kahn absolvido no julgamento final

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Gonzalo Fuentes / Reuters

O tribunal de Lille, que julgava uma rede de proxenetismo que organizava orgias com Dominique Strauss-Kahn, absolveu o antigo diretor do FMI e quase todos os réus. É o fim do folhetim dos processos de escândalos sexuais que o envolveram

Foi finalmente conhecida, em Lille, ao fim da manhã desta sexta-feira, a sentença do “julgamento final” da série de escândalos sexuais e processos nos quais apareceu como personagem central Dominique Strauss-Kahn (DSK como é tratado vulgarmente), antigo diretor do FMI. Ele e 12 dos 14 réus foram absolvidos pelo tribunal da capital do norte da França.

O tribunal que acaba de sentenciar o chamado “caso do hotel Carlton de Lille” - em cujo banco dos réus DSK se sentou por envolvimento numa alegada rede de prostituição e proxenetismo que organizava orgias naquela cidade e ainda em Paris, Bruxelas e Washington – limpou-o de todas as acusações que contra ele pendiam.

Ficou apenas provado o que o próprio DSK confessou durante as audiências: os bacanais nos quais participou e o seu gosto particular por práticas sexuais “fora do normal”. Mas foi completamente afastada a hipótese de que o antigo potencial candidato favorito à presidência francesa estaria no centro, como principal instigador, de um sistema muito bem organizado de proxenetismo. O também antigo ministro socialista francês da Economia e Finanças garantiu desconhecer, durante as audiências, que afinal praticava sexo em grupo com prostitutas.

Durante a investigação, os magistrados instrutores do processo chegaram a dizer que ele era “o rei das festas” e descreveram-no como um tarado “sem fé nem lei”, com gosto especial por práticas sexuais violentas ou brutais. Mas o tribunal atendeu ao pedido do próprio procurador que o deveria acusar: absolveu-o, seguindo a tese de que os juízes devem “trabalhar com o código penal e não com um código moral”.

Montanha pariu um rato
Com a sentença desta sexta-feira, terminaram os muito mediatizados processos contra Dominique Strauss-Kahn, assumido libertino - e chega ao fim um autêntico folhetim escandaloso e judicial contra ele. 

O mais famoso de entre os processos e suspeitas que o visaram decorreu em Nova Iorque, sobre uma alegada agressão sexual contra uma empregada de quarto de um hotel, em maio de 2011, que custou a DSK o lugar no FMI e a candidatura ao Eliseu. Foi também absolvido nesse processo, apesar de ter chegado a ser preso e de ter pago, através de uma negociação bilateral privada, uma avultada soma à empregada americana que o acusava.

Agora, segundo a decisão do tribunal de Lille, apenas vai cumprir uma pena suspensa de um ano de prisão um dos réus, um quadro superior do hotel que arranjava clientes para prostitutas. Mesmo Dominique Alderweireld, mais conhecido pelo nome de “Dodo la Saumure”, um “reputado” proxeneta já condenado no passado noutros processos ligados à prostituição, foi absolvido. 

A sentença, de 147 páginas, foi lida quatro meses depois do fim das audiências. Strauss-Kahn arriscava uma pena de 10 anos de prisão e 1,5 milhões de euros de multa se a acusação de proxenetismo agravado tivesse sido provada. 

O processo deste “caso do Carlton” durou três anos, foi notícia de grande relevo em todo o mundo, mas acabou por se saldar pela absolvição de praticamente todos os acusados. A montanha pariu um rato, mas devido aos escândalos sexuais e à sua consequente má reputação, aos 66 anos DSK comprometeu, provavelmente de forma definitiva, a sua carreira política, que chegou a ser muito promissora.