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Copiloto da Germanwing temia estar a cegar

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O procurador Brice Robin apresentou os dados em conferência de imprensa, após ter estado reunido com os familiares das vítimas

Gonzalo Fuentes/Reuters

Um mês antes de ter feito despenhar o avião da Germanwings, Andreas Lubitz esteve 10 dias de baixa e foi a várias consultas médicas, diz o procurador de Marselha que promoveu as investigações preliminares do caso ocorrido há dois meses e meio

Andreas Lubitz, o copiloto alemão que a 24 de março fez despenhar o avião da Germanwings com 150 pessoas a bordo, temia estar a ficar cego, sofrendo de uma grave depressão que envolvia uma “psicose acompanhada de problemas de visão”. Quem o diz é o procurador de Marselha, Brice Robin, após ter estado reunido esta quinta-feira durante mais de quatro horas com 200 familiares das vítimas. 

"O avião não teve nenhum problema de manutenção em Barcelona. O avião estava capaz de voar perfeitamente", disse o procurador numa conferência de imprensa esta quinta-feira, em que deu mais indicações sobre os problemas médicos e psicológicos que se pensa terem levado o copiloto a fazer o avião despenhar-se na zona dos Alpes franceses.

Lubitz, de 27 anos, "despenhou deliberadamente o avião e assassinou 149 pessoas", afirmou Robin, que na próxima semana irá entregar o dossiê, com os dados que recolheu desde a data da tragédia. O processo será disponibilizado a três magistrados de Marselha, que vão abrir um inquérito criminal sobre “desconhecidos” e por “homicídio involuntário” - a lei francesa não permite que pessoas já falecidas sejam indiciadas por homicídio.

Nos últimos cinco anos, o copiloto consultou 41 médicos, entre os quais de clínica geral, psiquiatras, neurologistas e oftalmologistas. Só em março fora a sete consultas (uma de clínica geral, três de psiquiatria e três de otorrinolaringologia) e estivera 10 dias de baixa.

A obrigação de confidencialidade
A um dos médicos, Lubitz referiu que havia consultado diversos oftalmologistas e neurologistas e queixou-se que apenas conseguia ver entre “30 a 35% dos objetos no escuro”. E a pessoas próximas confessou que “a vida deixava de lhe fazer sentido face à perda da visão”.

O procurador referiu ainda que foram efetuados testes de toxicologia aos restos mortais do copiloto, cujos resultados ainda não são conhecidos.

Uma das questões que permanece em aberto é a de saber até que ponto responsáveis da Germanwings estariam a par dos problemas que afetavam o copiloto. De acordo com a lei germânica, os 41 médicos que o assistiram não podiam partilhar os dados clínicos do paciente com a sua entidade patronal, devido à obrigação de confidencialidade.