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Alemanha deixa cair investigação sobre escutas a Merkel

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Os procuradores alemães dizem que não conseguiram reunir provas suficientemente sólidas para levar a tribunal o caso da vigilância supostamente efetuada pela secreta americana NSA ao telemóvel da chanceler

A investigação desencadeada na sequência dos dados revelados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden, que indicavam que o telemóvel da chanceler Angela Merkel teria sido alvo de escutas por parte da agência secreta norte-americana, não encontrou dados que permitam levar o caso a tribunal, anunciaram esta sexta-feira os procuradores alemães.

Os dados foram revelados pela revista “Der Spiegel” no final de 2013, o que causou tensão nas relações entre Alemanha e Estados Unidos e levou à abertura da investigação germânica há cerca de um ano.

Em dezembro do ano passado, o procurador federal chefe Harald Range já indicara, contudo, que a recolha de provas não estava a correr bem, referindo não ter encontrado dados suficientes.

Esta sexta-feira, o mesmo responsável adiantou que não se conseguiu ter acesso a um documento original que provasse a alegada vigilância, e que a transcrição do documento da NSA que foi publicada pela newsmagazine alemã permite várias interpretações.

Merkel não comenta
“Os documentos de Edward Snowden que até agora foram publicados também não contêm provas sobre a vigilância ao telemóvel que sejam suficientemente sólidas para levar o caso a um tribunal”, refere Range em comunicado.

Os procuradores dizem não haver a perspetiva de que a continuação da investigação venha a conseguir reunir essas provas. Salientam que os jornalistas envolvidos na publicação dos documentos de Snowden não são forçados a testemunhar e que as declarações públicas do ex-analista da NSA não indicavam que tivesse conhecimento pessoal da vigilância ao telemóvel de Merkel.

O porta-voz da chanceler alemã recusa comentar a decisão dos procuradores. Contudo, Steffen Seibert frisou que a maior preocupação de Merkel não se restringia às escutas efetuadas no seu telemóvel, mas sim à vigilância efetuada sobre os alemães no geral.