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A duquesa é agora só Cristina

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Nesta imagem da família real espanhola só falta Juan Carlos, o antecessor de Felipe VI como rei, aqui rodeado pelas irmãs Helena e Cristina, a mãe Sofia e a mulher Letícia, alé, das filhas Leonor e Sofia

Enrique Calvo / Reuters

Felipe VI de Espanha retira à irmã mais nova o título de duquesa de Palma de Maiorca, por causa de um escândalo fiscal

O rei de Espanha, Felipe VI, retirou o título de duquesa à sua irmã mais nova, a infanta Cristina, na sequência do escândalo de corrupção e de crimes fiscais em que esta tem estado envolvida por via do seu marido. 

Por decreto real publicado esta sexta-feira, o rei revoga o direito de Sua Alteza Real, a infanta Cristina, ao uso do título de duquesa de Palma de Maiorca. Este título tinha-lhe sido conferido em 1997 pelo seu pai, o rei Juan Carlos. Cristina de Borbón tem 49 anos, é a mais nova dos filhos de Juan Carlos e Sofia e é a sexta na linha de sucessão ao trono de Espanha.

Segundo o site do “El Mundo” desta sexta-feira, a infanta afirma que foi ela a renunciar por carta, mas fonte oficial do palácio da Zarzuela nega-o. Dizem que o rei comunicou esta quinta-feira à irmã a sua decisão, e que só depois disso chegou ao palácio uma carta de Cristina, datada de 1 de junho. 

A decisão foi depois publicada esta manhã no boletim oficial do Estado, em decreto real assinado por Felipe VI e pelo chefe do Governo, Mariano Rajoy. O “El Mundo” levanta ainda a possibilidade de a infanta poder renunciar aos seus direitos sucessórios, algo que só ela poderá fazer.

O caso em tribunal envolve o marido de Cristina, Iñaki Urdangarin, ex-campeão olímpico de andebol, acusado em 2011 de ter aproveitado a sua posição no seio da família real espanhola para desviar fundos públicos no valor de 6,1 milhões de euros nas Baleares e em Valência por intermédio de uma sociedade sem fins lucrativos à qual presidia.

Quatro anos após o início do inquérito, a irmã de Filipe VI teve que comparecer perante um tribunal, o que aconteceu pela primeira vez na história da monarquia espanhola. Cristina era acusada de ter tomado parte ativa na fraude ao usar para fins pessoais uma parte dos dinheiros desviados. Esta defendeu-se afirmando nada saber do sucedido, e que confiava no marido ao ponto de assinar tudo o que este lhe pedia. A acusação reclama o pagamento de 2,6 milhões de euros em indemnizações.

Refira-se que entre os graus honoríficos de Cristina estão dois dados por Portugal: a Cruz da Ordem de Cristo, em 1988, e a Ordem do Infante D. Henrique, que recebeu em 1996.