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"Todo este sofrimento cruel aconteceu-me porque expressei a minha opinião." Raif poderá receber mais 50 chicotadas esta sexta

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Raif Badawi vai receber as próximas 50 chicotadas junto à mesquita de Jidá

TOBIAS SCHWARZ/AFP/GETTY

Blogger acusado de ter insultado o Islão foi condenado a 1000 chicotadas, distribuídas em sessões de 50 a cada sexta-feira

Helena Bento

Jornalista

O saudita Raif Badawi poderá receber mais 50 chicotadas já esta sexta-feira, avançou o Observatório dos Direitos Humanos. Esta semana, Badawi, o blogger acusado de ter insultado o Islão, viu ser confirmada a pena de 10 anos de prisão, 1000 chicotadas e um milhão de riais (cerca de 240 mil euros) atribuída pelo Supremo Tribunal saudita.

Em janeiro, o jovem recebeu as primeiras chicotadas junto à mesquita de Jidá, cidade na Arábia Saudita onde vivia, depois das orações do meio-dia. A segunda ronda, marcada para o mesmo mês e o mesmo local, foi adiada oito vezes. Badawi, com as costas e as pernas feridas, e muitas dores, corria risco de vida, informou a sua mulher à Amnistia Internacional.

Detido em 2012 pelos crimes de insulto ao Islão, não obediência ao rei e apostasia (renúncia de crença religiosa), Raif Badawi, de 31 anos, foi condenado a sete anos de prisão e 600 chicotadas em 2013. Num julgamento posterior, foi condenado a 1000 chicotadas, distribuídas por sessões de 50 a cada sexta-feira, e dez anos de prisão.

Raif Badawi ajudou a fundar, em 2008, o blogue Rede Liberal Saudita, um espaço aberto à discussão sobre assuntos políticos e religiosos. Na primeira carta que escreveu a partir da prisão, publicada em março no semanário alemão "Der Spiegel", Badawi conta como sobreviveu "milagrosamente" às primeiras 50 chicotadas. À sua volta, a multidão "gritava incessantemente 'Allahu Akbah'". "Todo este sofrimento cruel aconteceu-me porque expressei a minha opinião." 

Estados Unidos, Nações Unidas, União Europeia e Canadá manifestaram-se contra a decisão do Supremo Tribunal saudita. A Arábia Saudita, por sua vez, rejeitou as críticas de que tem sido alvo e denunciou a campanha dos meios de comunicação social em torno do caso.

Em maio, o embaixada da Arábia Saudita, em Bruxelas, enviou um comunicado aos membros do Parlamento Europeu em nome do Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita. No documento, é condenada qualquer "interferência nos assuntos internos" e defende-se que "alguns media e parceiros internacionais […] resvalaram numa tentativa de infringir e atacar o direito de soberania dos Estados".