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Televisão pública grega volta a emitir

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Encerrada há dois anos, numa medida considerada um símbolo da austeridade imposta na Grécia, a ERT foi reaberta, entre lágrimas e muitos abraços. O regresso da estação pública corresponde a uma das prioridades assumidas pelo Syriza

Fora do ar há dois anos, a estação pública de televisão na Grécia está de regresso ao pequeno ecrâ. O encerramento da ERT foi uma das medidas de austeridade impostas pelo governo do país, tornando-se um símbolo da crise económica e um sinal dos tempos conturbados que se avizinhavam.

Fundada em 1938 (na altura com a sigla EIR e apenas como estação de rádio), a sua reabertura foi assumida como uma prioridade pelo agora primeiro-ministro, Alexis Tsipras, inscrita no programa do seu partido, o Syriza.

O canal voltou a emitir esta quinta-feira, num regresso que provocou   lágrimas em muitos dos rostos televisivos da "casa". Entre choro e abraços, vários colegas reuniram-se para apresentar o primeiro programa matinal de entrevistas, tendo a emissão arrancado com imagens das paisagens mais icónicas da Grécia, ao som do hino nacional.

A par da felicidade visível, houve também nervosismo. “É um dia muito especial para nós, um dia muito díficil.” começou por declarar a apresentadora Vasiliki Haina, com uma voz trémula, enquanto em rodapé se anunciava o regresso da ERT, "dois anos depois da escuridão.”

Fechada em 2013 pelo antigo primeiro-ministro, o conservador Andonis Samaras, que considerou a entidade pública como “um mastodonte que emprega mais de 2600 pessoas, muitas vezes por favor político”, a estação reabre com novas linhas de orientação.

“Sem diferenças salariais, sem favoritismos e sem os gastos exorbitantes do passado”, assim foi apresentado o plano de reestruturação pelo governo de Tsipras. Pelo caminho fica o "Nerit", canal aberto pelo anterior executivo em maio de 2014 nas instalações da cadeia pública, e que o atual ministro responsável pelos meios de comunicação, Nikos Pappas, considerou ter uma programação “vergonhosa" e não merecer "qualquer confiança” do povo grego.

Pelo contrário, Pappas e o governo que integra enalteceram o trabalho levado a cabo pelos trabalhadores da "ERT Open", a plataforma criada por cerca de 400 profissionais, que continuaram a emitir em Atenas, Salónica e em várias cidades do país, mantendo viva a chama da “verdadeira cadeia pública".

Para o Syriza, o regresso da estação é considerado “uma grande vitória para a democracia grega”, e representa o cumprimento de uma das propostas chave do seu programa.

O governo grego comprometeu-se ainda a contratar todos os 2600 trabalhadores que faziam parte da antiga estrutura do canal, dos quais 600 são jornalistas,medida com um custo de 30 milhões de euros/ano, verba a ser dotada através de impostos refletidos nas contas da electricidade dos cidadãos gregos.

As celebrações do regresso da ERT vão continuar ao longo do dia, estando marcado para esta tarde um concerto em direto da sede do canal, em Atenas.