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Uma reunião "construtiva", mas ainda sem acordo para a Grécia

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YVES HERMAN/REUTERS

A reunião entre Alexis Tsipras, Angela Merkel e François Hollande terminou, aparentemente, sem nenhum princípio de acordo. O lado alemão diz que há uma "maior intensificação" das negociações, no dia em que nos bastidores se fala numa possível extensão do programa

A reunião durou cerca de duas horas, mas, à saída, os líderes foram parcos em palavras. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, foi o único a responder a perguntas dos jornalistas, após o encontro com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, François Hollande, que decorreu à margem da cimeira entre União Europeia e os países da América Latina.

Reforçando o clima "construtivo" em que decorreram as conversações, Tsipras não adiantou muito mais para além do que tem repetido nos últimos dias. "Penso que vamos conseguir uma solução. Os líderes europeus percebem que a Grécia precisa de uma solução viável", declarou, em grego, aos jornalistas presentes. Terá também voltado a reforçar a necessidade de recorrer a uma renegociação da dívida aos credores oficiais, nomeadamente uma solução sustentável para a amortização dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional e face ao vencimento das obrigações gregas em carteira no Banco Central Europeu..

Do lado alemão, chegou apenas um breve comunicado através de um porta-voz do Governo, declarando que as conversações entre o Executivo grego e as instituições (Comissão Europeia, BCE e FMI, ou seja, a antiga troika) devem continuar "com grande intensidade". 

Extensão à vista?
A falta de resultados palpáveis após a reunião contrastou com as notícias vindas a público durante esta quarta-feira. Segundo fontes próximas do Governo alemão ouvidas pela agência Bloomberg, Angela Merkel estará disposta a reduzir as exigências aos gregos no imediato, para conseguir um acordo no curto-prazo, bastando por isso o compromisso grego com apenas uma das reformas exigidas pelos credores para Berlim decidir dar mais ajuda financeira aos gregos.

Também no mesmo dia, um responsável grego lançou a hipótese de que Atenas procuraria uma nova extensão do empréstimo, enquanto não é possível chegar a um acordo: "Estamos a discutir uma extensão do programa atual durante mais nove meses, até março de 2016", declarava na tarde de quarta-feira uma fonte do Governo, citada pela AFP. A data de março teria como objetivo coincidir com o fim do empréstimo do FMI. Os media gregos avançaram durante a tarde que esta seria a hipótese a ser discutida por Tsipras, Merkel e Hollande nessa mesma noite.

No entanto, qualquer tipo de acordo ou extensão que permita à Grécia desbloquear a última tranche de 1,8 mil milhões do programa europeu terá de ser aprovado pelo Eurogrupo, que se reúne no próximo dia 18.  O presidente do organismo, Jeroen Dijsselbloem, pronunciou-se esta quarta-feira sobre a possibilidade de se chegar a um consenso na próxima reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo, mas insinuou que os sinais não são os melhores: "Continuamos abertos a alternativas sérias, mas as alternativas dos últimos dias não estiveram à altura", declarou o ministro das Finanças holandês. 

Até lá, as negociações continuam. Segundo o analista grego Yannis Koutsomitis, contactado pelo Expresso, quinta-feira há novas reuniões "com as instituições e com (Jean-Claude) Juncker para reduzir as diferenças."