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Papa Francisco apela a "esforços sinceros" de Putin na Ucrânia

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O papa Franscisco e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, encontraram-se esta quarta-feira, no Vaticano.

POOL/REUTERS

Apelos, compromissos e trocas de presentes marcaram o encontro do papa Francisco com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Helena Bento

Jornalista

 O papa Francisco apelou a Vladimir Putin que se comprometa com "um esforço grande e sincero" para que a paz regresse à Ucrânia.

Após a reunião entre ambos, que decorreu esta quarta-feira, o Vaticano emitiu um comunicado no qual declarava que o papa tinha sublinhado a Putin a necessidade de um "importante e sincero esforço de alcançar a paz" na Ucrânia, através do diálogo e do cumprimento do acordo de Minsk.

"Houve entendimento na importância de reconstruir uma atmosfera de diálogo, e que todas as partes envolvidas se comprometam a aplicar os acordos [de cessar-fogo] de Minsk", lê-se no comunicado. No encontro privado foi abordada não só a situação na Ucrânia, mas também na Síria e no Iraque. 

Sobre a situação no Médio Oriente foi sublinhada "a urgência de conseguir a paz com o compromisso concreto da comunidade internacional". Foi a segunda vez que o líder máximo da Igreja Católica e o Presidente da Rússia se encontraram. A primeira foi em Novembro de 2013, antes da cimeira do G20, em São Petersburgo.

Putin, que chegou ao Vaticano com uma hora de atraso, foi recebido pelo papa com um "bem-vindo" em alemão. Depois da reunião, realizou-se a tradicional troca de presentes. 

O presidente da Rússia ofereceu ao papa uma pintura, ao mesmo tempo que afirmava: "Esta é a Igreja de São Salvador, que foi destruída na época soviética e depois reconstruída". Por sua vez, o líder da Igreja Católica entregou a Putin um medalhão criado por Guido Veroi, dizendo: "Este é um medalhão criado por um artista do século passado, representando o anjo da paz, que vence todas as guerras e fala da solidariedade entre os povos".

Primeiro-ministro italiano apela ao contributo de Vladimir Putin
Também esta quarta-feira, Vladimir Putin reuniu-se com Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano. O encontro aconteceu dois dias depois da cimeira do G7 e a duas semanas de a União Europeia anunciar se vai reforçar as sanções contra Moscovo.

Durante o encontro, Renzi elogiou Putin, salientando o seu papel fundamental nos esforços internacionais contra o terrorismo. Pediu-lhe também ajuda pôr fim ao conflito na Líbia, que tem alimentado a crise dos migrantes no Mediterrâneo.

Sobre a situação na Ucrânia pouco foi dito. Não houve críticas nem apelos. Ambos concordam, no entanto, que é necessário cumprir, em pleno, o acordo de Minsk. 

No final do encontro, o Presidente russo lamentou a queda no comércio entre a Rússia e a Itália, numa referência discreta às sanções aplicadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos ao seu país. "Devido às circunstâncias que todos conhecemos, o nosso comércio bilateral caiu nos últimos tempos, 10% em 2014 e 25% no primeiro trimestre de 2014".