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Internacional

Francisco cria novo tribunal para crimes de pedofilia

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O Papa Francisco estabeleceu um período de cinco anos para avaliar a “eficácia” do novo tribunal.

TONY GENTILE

O Papa estabeleceu um período de cinco anos para avaliar a “eficácia” da instância judiciária e ordenou a nomeação de novos funcionários

Helena Bento

Jornalista

O Papa Francisco anunciou esta quarta-feira a criação de um tribunal no Vaticano para julgar os bispos que forem acusados de ter protegido padres pedófilos. 

Os bispos que tiverem faltado ao "seu dever profissional” serão julgados pela "nova instância judiciária no interior da Congregação para a Doutrina da Fé", a qual se rege pelo direito canónico, referiu o Papa, citado pela AFP. 

Francisco ordenou também a nomeação de novos funcionários, que podem ficar encarregues de processos penais em casos de abusos de menores ou de "adultos vulneráveis" por parte de membros do clero, anunciou o Vaticano. Foi ainda estabelecido um período de cinco anos para testar a eficácia do novo tribunal. 

O reconhecimento como delito punível do encobrimento por parte dos bispos dos abusos sexuais cometidos por padres a menores era há muito reivindicado pelas associações de antigas vítimas.

A maioria dos escândalos envolvendo padres pedófilos ocorreu nas últimas décadas do século XX. Na altura, milhares de menores foram agredidos sexualmente por padres e outros membros do clero. Apresentaram queixa junto dos bispos, que se terão recusado a ouvi-los e a avançar com qualquer processo judicial. Pediam-lhes, por outro lado, que se mantivessem em silêncio, e protegiam os padres suspeitos ao transferi-los para outras paróquias. Também o Vaticano foi acusado de encobrir vários casos de suspeitas de pedofilia. 

As antigas vítimas criticaram o facto de os julgamentos serem realizados de forma confidencial e no interior da Igreja. “Durante as décadas desta crise, as comissões, os procedimentos, os protocolos e as promessas abundaram. Mas são todas desprovidas de significado. Enquanto os padres forem encarregues de se ocuparem de outros padres que tenham cometido ou dado cobertura a crimes sexuais, poucas coisas vão mudar”, referiu em comunicado a associação americana de antigas vítimas (SNAP), citada pela AFP.