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Tsipras pergunta: “Se não sabem lidar com a pequena Grécia, como vão fazer para lidar com Espanha e Itália?”

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YANNIS KOLESIDIS / EPA

Acabar com o “horroroso” debate do Grexit é objetivo de Tsipras, que comparou graus de austeridade. “Basta olhar para os programas na Irlanda ou em Portugal para perceber que as comparações são infelizes. Ninguém sofreu tanto como a Grécia”

Um cenário de bancarrota na Grécia “seria o começo do fim para a zona euro”: palavra de Tsipras, em declarações ao jornal italiano “Corriere della Sera”. O líder do governo de Atenas garante que a Grécia foi o país da União Europeia que mais sofreu.

O artigo é publicado em clima de negociações e Tsipras classifica o atual momento como um dos “maiores desafios para a Europa e para Grécia”. Atenas atravessa uma das piores crises financeiras de que há memória e Tsipras deixa a questão no ar: “Se os líderes políticos europeus não conseguem lidar com o problema da Grécia, que representa 2% da economia, como é que os mercados vão reagir a problemas de países muito maiores, como Espanha e Itália – cuja dívida pública é de dois mil milhões de euros?”.

Acabar com o “horroroso” debate do Grexit é um dos objetivos de Alexis Tsipras. A hipotética saída da zona euro “não seria uma vantagem para ninguém”. Aliás, se “a Grécia conseguir algo de bom destas negociações será uma estrada aberta para todos. Por isso, os países, especialmente do sul da Europa, devem apoiar a proposta grega”. Uma referência à atenção do governo português.

Aos que apontam o dedo e dizem que são os cidadãos europeus que estão a pagar a crise financeira grega, o líder do governo de Atenas corrige: “A Grécia está a receber empréstimos. Ninguém está a dar dinheiro a ninguém. De acordo com o próprio parlamento alemão, a Alemanha já lucrou 360 milhões de euros através dos empréstimos que nos foram concedidos”.

Portugal e Irlanda “sofreram menos”

Alexis Tsipras está disponível para apertar as mãos dos líderes europeus e assinar o acordo. “O ponto principal é chegar a um acordo, não só para fechar o programa de assistência financeira à Grécia, mas também para desenhar um novo dia - por outras palavras, permitir que a Grécia consiga regressar aos mercados com uma economia competitiva e o mais rapidamente possível.”

O problema para toda a relutância de chegar a acordo é só um: a austeridade. A Europa pede mais e a Grécia pede menos. E Tsipras pede que “instituições reconheçam que a austeridade falhou”. O primeiro-ministro helénico afirma que não se pode pedir à Grécia que “aplique medidas que mais ninguém na Europa implementou” ou que aja como se há quatro meses “as eleições não tivessem alterado o governo”.

“A diferença é que na Grécia a austeridade foi aplicada com uma brutalidade nunca antes vista e trouxe consequências económicas e sociais desastrosas. Basta olhar para os programas na Irlanda ou em Portugal para perceber que as comparações são infelizes. Ninguém sofreu tanto como a Grécia”, assegura Tsipras.

Toda a instabilidade leva a que surjam rumores - um deles sobre a possibilidade de novas eleições. “Não prevejo, nem quero uma outra eleição. As sondagens mostram que expandimos a nossa influência. Vamos continuar o nosso trabalho até ao fim. Não vamos desiludir o povo grego.”