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Proposta de Atenas não chega. Comissão pede “mais trabalho concreto e menos manobras táticas”

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KOSTAS TSIRONIS / Reuters

Oficialmente, a Comissão volta a mostrar-se otimista quanto a um acordo nos próximos dias, mas nos bastidores várias fontes garantem que a proposta enviada por Atenas é “insuficiente”.

Atenas continua a resistir a subir a taxa de IVA sobre a eletricidade em 10 pontos percentuais e a cortar o complemento das pensões mais baixas (o chamado EKAS). A contraproposta que foi enviada esta terça-feira aos credores foca-se nestes temas e deixa clara a recusa.

Os dois pontos fazem parte das condições contidas na proposta conjunta que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional fizeram a Alexis Tsipras, na passada quarta-feira, para ultrapassar o impasse nas negociações.

No entanto, ao entregar a contraproposta, o governo do Syriza não avança com medidas alternativas com o mesmo impacto orçamental das que rejeita fazer. Resultado: os credores voltam a classificar a proposta de “insuficiente”.

De acordo com duas fontes ouvidas pelo Expresso, o documento que recupera várias medidas propostas feitas anteriormente pelo governo grego é incompleto.

“Temos dito às autoridades gregas que é importante não só dizerem as medidas de que não gostam, mas também dizerem quais as que estão dispostos a tomar em alternativa”, disse hoje o vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis.

No Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Dombrovskis deixou claro que há pontos nos quais gregos e credores ainda discordam, mas mostrou-se confiante num entendimento. Aos jornalistas, disse acreditar que é "possível seguir em frente", tendo em conta o trabalho intenso dos últimos dias.

“Eu diria que é possível alcançar um acordo nos próximos dias”, disse o comissário letão, adiantando que para se chegar a um acordo técnico com as instituições é precisa "vontade política” principalmente do lado da Grécia. “É preciso mais trabalho concreto e menos manobras táticas”, acrescentou.

Negociações convergem em torno do excedente orçamental primário
Mas há também sinais de convergência, nomeadamente em termos da meta do excedente orçamental primário - diferença entre receitas e despesas excluindo juros da dívida. Valdis Dombrovskis, o comissário que tem a pasta do euro, diz “é muito importante que nos próximos dias, senão ‘dia’, se chegue a acordo sobre a meta do excedente orçamental primário”.

Na proposta feita pelos credores, tornada pública pelo jornal grego Tovima, era pedido ao governo grego que alcançasse um excedente primário de 1% do PIB em 2015. Atenas contrapunha, na última semana, com 0,6%, mas segundo fontes oficiais gregas, citadas pelo jornalista do Financial Times Peter Spiegel, a Grécia estaria disposta a subir a meta para 0,75%, esperando que os credores fizessem também cedências.

Fonte europeia explica que “há claramente uma convergência” em torno no excedente primário mas que esta não basta se não se chegar também a um compromisso em torno das medidas concretas que garantam esse objetivo.

O Eurogrupo – reunião dos ministros das finanças da zona euro – têm reunião marcada na próxima semana, dia 18 de junho, no Luxemburgo. Não tomarão qualquer decisão para desbloquear as tranches em atraso (7,2 mil milhões), a não ser que as autoridades gregas e as instituições da troika consigam fechar o chamado “acordo técnico” antes dessa data.