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Erdogan reconhece falta de condições para formar governo após eleições

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YURI CORTEZ/AFP/Getty Images

Com a perda da maioria absoluta no parlamento, Recep Tayyip Erdogan vê-se obrigado a formar uma aliança para governar. É o fim de uma era com os poderes concentrados no Presidente turco

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apelou na segunda-feira à responsabilidade dos partidos, com vista à formação de um governo de coligação, após a perda da maioria absoluta do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) nas eleições de domingo. 

"A opinião do nosso povo está acima de tudo. Acredito que com estes resultados não será possível formar governo com um único partido.  Mas é vital que todas as forças políticas ajam com a sensibilidade e responsabilidade necessária de forma a preservar a atmosfera de estabilidade e de confiança assim como as nossas conquistas democráticas", declarou Recep Erdogan.

O AKP venceu as eleições no domingo com 40,8% dos votos, conquistando apenas 258 lugares entre 550 no parlamento. Foi a primeira vez que o partido de Recep Erdoğan perdeu a maioria absoluta desde 2002, deitando por terra a ambição do Presidente de formar uma liderança forte e de reformar a Constituição do país,

Formar um governo de coligação não se avizinhará uma tarefa fácil, a avaliar pelas declarações mais recentes dos líderes de alguns partidos com lugar no parlamento. "Ninguém tem o direito de arrastar a Turquia para uma minoria AKP e alguns círculos. A eleição aconteceu", afirmou Devlet Bahceli, líder do Partido da Ação Nacionalista (MHP).

Por sua vez, Selahattin Demirtas, vice-presidente do partido de esquerda HDP, já descartou por completo a possibilidade de uma aliança governamental com o partido de   Recep Erdoğan. "Nós não integraremos qualquer coligação com o AKP. Estaremos no parlamento como um forte partido da oposição", disse Demirtas numa conferência de imprensa em Istambul, citado pelo "Guardian".

O responsável do HDP aplaudiu contudo o resultado eleitoral, sublinhando que abre uma nova era na vida política do país, após 13 anos com o partido de Erdoğan a alcançar a maioria absoluta.  "Neste momento, o debate sobre a presidência e sobre a ditadura acabou. A Turquia já saiu da ponta do precipício", afirmou.

O líder da bancada parlamentar do AK, Burhan Kuzu, sustentou por sua vez a necessidade da convocação de novas eleições, duvidando de um cenário de coligação governamental.  "Nenhum governos sairá deste cenário. Nem fruto de uma coligação. Eleições a curto prazo tornam-se inevitáveis", defendeu Burhan Kuzu à BBC.

Nas eleições de domingo, o Partido Republicano do Povo (CHP) ficou em segundo lugar com 25% dos votos e 132 deputados. Na terceira e quarta posições ficaram, por sua vez, o Partido de Ação Nacionalista (MHP) e o Partido Democrático do Povo (HDP) com 16,3% e 13,1% da votação respetivamente.