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Merkel e Obama com a Grécia no coração

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FOTO MICHAEL KAPPELER/GETTY

Parece o cenário do filme "Música no coração" nos Alpes austríacos. Mas é com Merkel e Obama em vez de Georg Von Trapp e Maria Kutschera

A situação grega não era um dos pontos previstos na agenda da reunião de líderes do G7, que decorreu nos Alpes da Baviera, mas acabou por se impor no encontro entre os governantes da Alemanha, EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, Itália e França. 

Esta segunda-feira, a chancelar alemã defendeu que "não há muito tempo" para o Governo de Alexis Tsipras chegar a acordo com os credores, reiterando que toda a zona euro está interessada em manter a Grécia entre os países da moeda única.

"Não há muito tempo. Estamos todos a trabalhar de forma intensiva. Depois de terça haverá oportunidade para discutir essa questão com o primeiro-ministro grego. Cada dia conta", disse Angela Merkel, numa declaração no fim da cimeira do G7. 

A chanceler alemã insistiu que o Executivo helénico tem de demonstrar confiança aos credores, comprometendo-se a avançar com as reformas de que o país necessita. "Nós queremos que a Grécia se mantenha na zona euro, mas temos a clara consciência de que a nossa solidariedade com o país exige que nos apresentem propostas e implementem reformas", acrescentou.

Por seu turno, Barack Obama reconheceu a necessidade de o governo grego escolher opções a fim de poder alcançar um acordo com os credores, que é indispensável para o país sair da situação de asfixia financeira. "Os gregos terão de fazer algumas escolas políticas difíceis, que serão boas para eles a longo prazo. Os líderes internacionais reconhecem os desafios extraordinários que o povo helénico tem pela frente", frisou o presidente norte-americano.

No início da cimeira do G7, Angela Merkel tinha prometido que a Grécia não iria dominar o debate entre os líderes dos sete países mais industrializados, podendo servir apenas para fazer um balanço sobre os trabalhos entre a delegação helénica e os credores e para todos apelarem à necessidade de um acordo urgente.

A Grécia necessita da última fatia de 7,2 mil milhões de euros do empréstimo, a fim de poder respeitar os seus compromissos financeiros, numa altura em que enfrenta sérios problemas de liquidez. 

Ainda na última quinta-feira, o Executivo grego comunicou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que não iria pagar no dia seguinte uma prestação do empréstimo à instituição liderada por Christina Lagarde, preferindo pagar o montante total até ao dia 30 de junho.

Depois de as instituições terem apresentado a Atenas um plano de reformas, o Executivo de Alexis Tsipras insiste que é um plano "absurdo", tendo garantindo esta segunda-feira que as propostas entregues pelo seu governo é que constituem o "ponto de partida" para a negociação com os credores.